Veludo Azul (Blue Velvet, 1986)

Debaixo daquela aparente serenidade de uma pequena cidade, existe um mundo obscuro no qual os inocentes não ousam se aventurar, e onde o imprevisto é normal. Esse é o reino assustador de Veludo Azul (Blue Velvet, 1986) com roteiro e direção de David Lynch.

O enredo conta a história de Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan), um universitário que retorna à pacata cidadezinha de Lumberton e encontra uma orelha humana infestada de formigas no jardim de casa. Com a ajuda de Sandy (Laura Dern), filha do investigador da cidade, ele tenta encontrar a solução do mistério, que conduz à perturbada cantora Dorothy Vallens (Isabella Rosselini), que é maltratada pelo perverso Frank Booth (numa interpretação magnifica de Dennis Hooper, personificando um dos 50 maiores vilões de todos os tempos, segundo a American Film Institute), que é o suposto sequestrador do marido e filho dela. A atração do jovem Jeffrey pela experiente e sedutora Dorothy se torna bastante perigosa.

Veludo Azul começa mostrando o cotidiano de uma pacata cidade do interior dos Estados Unidos. Casas com cercas brancas, uma paisagem colorida, crianças brincando no jardim, o caminhão de bombeiros passeando lentamente pela rua enquanto acenam para os vizinhos. Tudo muito bonito e tranquilo em Lumberton. A superfície da cidade é a representação estética do estilo de vida americano, a vida perfeita, mas debaixo da grama os insetos remoem a terra e compõem uma paisagem negra de depredação, e a câmera de Lynch, faz questão de os perseguir.

Os personagens principais são muito claramente definidos. Quase unidimensionais. Laura Dern é especialmente irritante no seu papel de menina ingénua e frágil. MacLachlan é o jovem universitário perfeitamente normal e pacato, mas sentindo um desejo profundo de transgredir essas fronteiras. Rosselini tem um papel muito forte, na pele de uma mulher perturbada e abusada, que confunde os sentimentos e o prazer com a dor. Mas a verdadeira peça central do filme é o personagem e a interpretação de Dennis Hopper, num dos melhores psicopatas da história do cinema.

Mesmo indicado ao Oscar em 1987 na categoria de Melhor Diretor e tendo recebido a Palma de Ouro em Cannes, o filme foi mal recebido pela crítica e público. As reações foram violentas e Lynch foi acusado de pornografia e pretensão excessivas. No entanto, as opiniões adversas só engrandeceram sua obra e confirmaram como sendo a figura mais sui generis do cinema.

E ressaltando também a trilha sonora, que é um espetáculo à parte. Desde a canção Blue Velvet de Bobby Vinton até a cena em que In Dreams de Roy Orbison, irrompe o silêncio da madrugada para embalar o espancamento de Jeffrey Beumont

Veludo Azul é uma história noir, densa e onde o lado obscuro da mente humana é explorado até o limite.


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