Câmera Nacional: O Homem que copiava

Direção: Jorge Furtado

Roteiro: Jorge Furtado

Origem: Brasil
Duração: 123 minutos

Elenco: Lázaro Ramos, Leandra Leal, Luana Piovani, Pedro Cardoso

Sinopse:

André (Lázaro Ramos) é um jovem de 20 anos que trabalha na fotocopiadora da papelaria Gomide, localizada em Porto Alegre. André mora com a mãe e tem uma vida comum, basicamente vivendo de casa para o trabalho e realizando sempre as mesmas atividades. Num dia André se apaixona por Sílvia (Leandra Leal), uma vizinha, a qual passa a observar com os binóculos em seu quarto. Decidido a conhecê-la melhor, André descobre que ela trabalha em uma loja de roupas e, para conseguir uma aproximação, tenta de todas as formas conseguir 38 reais para comprar um suposto presente para sua mãe.

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O homem que copiava é um filme levado com naturalidade. Desde sua inventiva cena inicial o diretor usa elementos que enriquecem a narrativa, como animações e clipes durante o filme, e o uso desses elementos narrativos não deixa que o enredo  se torne aborrecido.

E olha que nem é preciso, o roteiro de Jorge Furtado consegue impor um ritmo de tensão crescente à medida que nosso protagonista se envolve em situações de maior risco. E ainda possui a proeza de equilibrar o tom de comédia para que não nos percamos e deixemos de sentir medo pelos nossos queridos heróis.

E falando em queridos, é neles que se encontra uma das maiores virtudes de “O Homem que Copiava”. O elenco consegue absorver o tom meio fabulesco da história e nos envolve emocionalmente a ponto de torcermos para que seus personagens não se deem mal, mesmo fazendo coisas reprováveis para alguns.

Parte disso se deve ao roteiro que não trata cada personagem de forma maniqueísta. Outra parte é a persona de cada ator que nos ajuda a assimilar mais rapidamente as suas personalidades (como a mulher fatal de Luana Piovani, o malandro de Pedro Cardoso e a mocinha inocente de Leandra Leal). E por último, o talento do elenco que consegue causar simpatia e empatia facilmente. Nesse aspecto o destaque é Lazaro Ramos, que cria um André profundamente humano e verossímil. Sem ter esperança de alcançar qualquer ambição maior na vida e ao mesmo tempo as desejando. Sua existência se resume a viver de pequenos desejos cumpridos com tremendo esforço financeiro e isso até deixa o segundo ato mais interessante pois aumenta o contraste entre as fases da história.

A direção é primorosa e atenta. Cada cena parece ter sido planejada com total controle e nunca é inútil. Furtado ainda causa várias rimas narrativas, deixando a história mais coesa, também através de transições elegantes e discretas. Ainda é preciso destacar as várias versões das cenas do romance dos dois, mais uma prova do planejamento do projeto.

O Homem que copiava ainda tem tempo de nos brindar com algumas importantes discussões, como a ética a moral e os interesses de cada indivíduo em choque. E, além disso, amarra bem os arcos dramáticos, um tanto quanto esquemáticos, mas que funcionam como mensagem de esperança aos operadores de fotocopiadoras.

Trailer:

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