Casanova de Fellini (1976)

Casanova4Original: Il Casanova di Federico Fellini
Diretor: Federico Fellini
Roteiro: Giacomo Casanova, Federico Fellini, Bernardino Zapponi
Fotografia: Giuseppe Rotunno
Edição: Ruggero Mastroianni
Gênero: Biografia, Drama
Origem: Itália, EUA
Duração: 155 minutos

“Casanova de Fellini” é estrambólico como poucas coisas na vida. Cenários teatrais, figurinos exuberantes e coloridos, atuações exageradas e erotismo burlesco. Muito erotismo. Donald Sutherland desponta jovem e irreconhecível como o real, ao mesmo tempo que folclórico, Giacomo Casanova. Com uma prótese de nariz e a cabeça raspada até a metade, seu crânio ganhou forma e tamanho desproporcional. Fellini, para criar essa sua particularidade de elo entre cinema, teatro e circo, submete seus atores a maquiagens que salientam defeitos, seja a palidez da pele, as olheiras, acentuando os queixos longos ou os lábios finos. Transforma-os em figuras patéticas e horrendas. A única exceção é Tina Aumont, que aparece bela e sedutora como a francesinha Henriette.

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Longe de ser um dos melhores filmes do cineasta, tem lá suas qualidades. É alegre, poético e até romântico. Diviniza e atribui poderes ao sexo feminino, embora à primeira impressão pareça misógino . Com seu desenrolar lento e confuso, a película agrada mais na criatividade e composição das roupas e cenários, nas acrobacias dos estranhos figurantes, na cena da ópera e nos carros alegóricos, no oceano feito com sacos de lixo e na fotografia imaculada da neve caindo sobre a carruagem no desfecho. Quase um vaudeville.

Casanova configura o amante insaciável, que vence uma aposta absurda na corte francesa contra Righetto: quem dos dois consegue transar mais. Isso mesmo. Sexo. Tudo nesse filme é sobre sexo e todo o sexo é reproduzido com coreografias caricatas, cômicas e infantiloides. Aqui não há espaço para moralistas e religiosos. O filme é uma fantasia de duas horas e meia de duração, um sonho libidinoso que parece não ter limites e nem fim.

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Nino Rota, o gênio e compositor da antológica canção-tema de “O Poderoso Chefão”, foi responsável por todas as trilhas sonoras dos filmes de Federico Fellini. Em “Casanova” desenvolveu um trabalho que remete ao lúdico e ao onírico, digno de seu brilhantismo.

Diante das inúmeras versões romantizadas do amante italiano para as telas do cinema, o Casanova de Fellini em nada se parece com nenhuma delas. Anos-luz de distância do Marcello Mastroianni maduro e sóbrio, rejeitando as aventuras da mocidade na versão de Ettore Scola. Também oposto ao belo e apaixonado Casanova, interpretado por Heath Ledger, sob o olhar de Lasse Hallström. Donald Sutherland em seu papel é feio, vulgar e deprimente.

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