Holy Motors (Leos Carax, 2012)

Original: Holy Motors
Direção: Leos Carax
Roteiro: Leos Carax
Produção: Rémi Burah, Martine Marignac, Albert Prévost, Maurice Tinchant
Gênero: Drama/Musical/Sci-Fi/ Fantasia/ Thriller
Origem: França, Alemanha
Duração: 115 minutos

Excêntrico tal qual seu criador, “Holy Motors” nasceu como um plano despretencioso de última hora, e acabou elevado ao título de obra-prima por críticos do mundo inteiro. Dono de uma profunda complexidade e loucura, o longa-metragem expressa a paixão de Leos Carax pelo cinema e pela vida. E o filme começa com o próprio diretor adentrando uma sala de cinema cheia de pessoas catatônicas. A partir daí, o espectador é conduzido a outra dimensão.

Nela, conhecemos o senhor Oscar, interpretado pelo versátil Denis Lavant, parceiro de Carax em muitos trabalhos. A personagem vagueia pelas ruas de Paris, dentro de uma limousine, durante todo o filme. O carro funciona como um camarim, onde Oscar incrivelmente se transfigura em diversas personas. De momento em momento, em um período de 24 horas, ele sai para interpretar essas figuras, que vão de uma velha mendiga a um assassino, um pai de família, ou o Sr. Merda, um bizarro e malcriado morador dos esgotos, personagem que já havia aparecido no filme coletivo “Tokyo!”.

Senhor Merda, personagem de “Tókyo!”, revisitado em “Holy Motors”.

A ode, que reverencia Cocteau, Godard, Grémillon, Sokurov, Epstein etc, e revisita obras anteriores de Carax, vagueia por gêneros tão dissonantes, como sci-fi, musical, thriller e fantasia, que o espectador experimenta uma busca inalcançável por situar-se. O realizador negou, no Festival do Rio, que o filme seja uma metáfora ao cinema, conforme tem sido interpretado. “É uma afirmação de vida”, falou ao Estadão. Sem dúvidas, vida é o tema principal de “Holy Motors”, uma vez que Oscar vive várias e, através delas, examina a sua própria, mesmo que isso o deixe esgotado. É como um vício, uma procura mecânica por identidade.

Oscar, interpretado por Denis Lavant, e sua motorista Céline, vivida por Edith Scob.

Os estilos técnicos de fotografia variam de acordo com o momento. Não há um padrão durante todo o longa metragem. C.G.I., projeções de imagens,  estilo documentário,  noir, dentre outros imperativos, todos ganham espaço na construção das cenas, quase todas arrebatadoras. Sua filosofia obscura, estóica e vanguardista, deram ao filme uma estranha forma que não se encaixou nos moldes da Academia, e lhe trocou por “Amor” na indicação para melhor filme estrangeiro.  Ao ser eleito o melhor filme de língua estrangeira pela Associação dos Críticos de Los Angeles, Leos Carax agradeceu, ou melhor, não agradeceu através de uma carta, que dizia: “Filmes de língua estrangeira são feitos por todos os países do mundo, menos pela América. (…) Mas, na verdade, o cinema é uma língua estrangeira criada por aqueles que precisam viajar para outros lados da vida.” Carax não é o suficiente para a premiação do Oscar, porque, na verdade, ele a excede.

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