Invictus (2009)

Invictus_CapaOriginal: Invictus
Direção: Clint Eastwood,
Roteiro: Anthony Peckham
Produção: Clint Eastwood, Lori McCreary, Robert Lorenz e Mace Neufeld
Fotografia: Tom Stern
Trilha Sonora: Kyle Eastwood e Michael Stevens
Gênero: Drama
Origem: EUA/Africa do Sul
Duração: 135 minutos

Poucos diretores conseguem extrair o máximo de emoção de uma história aparentemente simples. Clint Eastwood é um dos mestres neste sentido, explorando com sutileza e  precisão a intenção da palavra ou do gesto, através de imagens de forte impacto.

articleLarge

Em seu longa Invictus, com roteiro de Anthony Peckham baseado no livro Conquistando o Inimigo, de John Carlin, o diretor mostra como Nelson Mandela, dando um grande passo rumo ao futuro de efetivas mudanças, uniu uma nação cheia de conflitos em torno de uma paixão em comum: o rúgbi. Para tanto contou com a ajuda de Francois Pienaar, o capitão da desacreditada equipe da África do Sul, Springboks, amada pelos brancos e odiada pela maioria negra, para virar a página da história dela e dos sul-africanos. A aposta única era a Copa Mundial de Rúgbi de 1995, realizada na África do Sul. Com uma poética injeção de ânimo e um desejo de reconhecer um país unido, governo e atletas despertaram uma nação.

Invictus não é uma biografia de Mandela, na verdade, o filme se constitui de uma dialética: de um lado, um documento sobre o visível, sobre a África do Sul reconstruída que o filme capta de forma concreta, do outro o peso do não-vísivel, do preconceito e da intolerância que estão presentes na memória e nos rostos dos personagens marcados por dolorosas lembranças.

invictus_2009_6

O filme acompanha os meses seguintes à vitória de Mandela à presidência, e toda a sua convicção de que será capaz de unificar a população do país, realçando o seu papel de um grande líder hábil em evitar que se reforce o ciclo de medo que sempre existiu em seu país, esforçando-se ao máximo para romper esse circulo vicioso de ódio e rancor. Mas Invictus também é sobre esporte, como muitos do Clint, mas felizmente essa temática não engole o filme, não sendo o interesse principal, mas sim uma forma disfarçada de alcançar a sua devida conotação política.

A bela fotografia de Tom Stern, com seu impressionante registro dos jogos de rúgbi e o dinamismo na edição de Joel Cox e Gary D. Roach, são um espetáculo a parte.

Morgan Freeman e Matt Damon,sem exageros e maneirismos, encontraram o tom exato de seus personagens e convencem bem nos papéis carregados de nuances e sotaques.

invictus-482x298

Diferente de seus outros filmes, marcados pela violência física ou psicológica, para sanar violações de direitos, Invictus é até linear, mas não monótono. Há um tempo e um ritmo para refletir e um tempo para agir. A delicadeza de Clint Eastwood, na exposição do racismo, em cenas ou diálogos, corta mais que uma navalhada explícita, mas não derrama sangue.

Invictus é um filme que emociona, constrange e provoca.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s