Frances Ha (Noah Baumbach, 2012)

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Título Original: Frances Ha
País de Origem: EUA
Roteiro: Noah Baumbach e Greta Gerwig
Direção: Noah Baumbach
Gênero: Drama, comédia

Apesar do que as redes sociais demonstram, a maioria dos jovens não são “cool”. Pois é. Eu, você e um monte de gente que conhecemos se identifica, na maioria das vezes, mais com o grupo dos loosers. Daqueles se sentem deslocados quando vão à balada, dos que chegam aos 25 sem o emprego dos sonhos, os que não tem grana ou gosto para manter um visual descolado, os que só se fodem no amor. Frances Ha é sobre nós, pessoas de verdade. Mas é a gente dentro de uma crônica nova-iorquina, monocromática, de ritmo cadenciado e cheio de referências à nouvelle vague.

O longa curtinho – apenas 86 minutos – conta a história de Frances Handley, uma dançarina de 27 anos, solteira e desempregada, pulando de endereço em endereço de amigos que se propõem a abrigá-la temporariamente.  Infantil e por vezes inconsequente, Frances improvisa, e com muito otimismo, para se virar no dia a dia. Interpretada pela atriz Greta Gerwig, que escreveu o roteiro em parceria com o diretor Noah Baumbach, a protagonista não é nenhuma estrela holywoodiana de beleza ou elegância surreal. Greta tem o cabelo desgrenhado, é alta demais e desajeitada. Qualquer pessoa consegue se identificar com pelo menos um de seus defeitos.

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O charme do filme fica por conta das alusões ao cinema francês. A introdução toca Ecole Buissoniere, canção de Os Incompreendidos, de François Truffaut. E no decorrer, outras trilhas típicas da nouvelle vague,  dentre composições de George Delerue. Em uma cena, Frances corre por quarteirões dançando Modern Love, de David Bowie, mais uma citação à cinematografia francesa. Desta vez, um pouco mais contemporâneo. Esse momento remonta um pedaço antológico de Sangue Ruim, de Leos Carax.

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À parte das menções ao mestres Godard, Truffaut e Carax, Noah apresenta sua maior particularidade, a sensibilidade. Capta e transmite os conflitos da juventude com aptidão. Em Lula e a Baleia, conseguiu ser extremamente perceptivo ao explorar os sentimentos dos membros de uma família, após a separação do casal. O roteiro deste filme rendeu ao realizador uma indicação ao Oscar, em 2006, apesar de seu trabalho não fazer muito o estilo comercial.

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