A Igualdade é Branca (1994)

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Original: Trois Couleurs – Blanc
Direção: Krzysztof Kieślowski
Roteiro: Krzysztof Piesiewicz e Krzysztof Kieślowski
Produção: Marin Karmitz
Fotografia: Edward Kłosiński
Trilha Sonora: Zbigniew Preisner
Gênero: Drama
Origem: França
Duração: 87 minutos

A Igualdade é Branca é o segundo filme da trilogia das cores de Krzysztof Kieslowski . Trilogia que conta histórias independentes sobre os três principais temas da revolução francesa juntamente com as três cores de sua bandeira.

O filme é considerado pelos críticos o mais fraco da trilogia. Isso se deve muito ao fato de ser considerado o mais comédia dos três. O próprio cineasta o rotulou desta forma e talvez essa incursão por um território pouco familiar ao diretor tenha sido responsável pela recepção fria à obra. Porém, o longa é tão bom quanto o seu antecessor, cujo trilogia perfaz um dos trabalhos cinematográficos mais sublimes da década de 1990. É  divertido, intrigante e possui uma trama desafiadora e emocionante, que contem vestígios de simplicidade e desafios, com uma visão única de igualdade e união.

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A Igualdade é Branca conta a história de Karol, um polonês, diferente quanto ao seu jeito de ser, casado com a linda Dominique, uma mulher que, na justiça, quer a separação alegando que Karol não consumou o casamento. Ele é humilhado em Paris e tem uma maré de azar inacreditável: além de perder a esposa, perde o passaporte e fica sem dinheiro nenhum. Acaba mendigando em uma estação de metrô onde conhece o também polonês Mikolaj. Os dois traçam um plano inusitado para voltar para a Polônia e recomeçar suas vidas. A partir daí o filme se desenvolve de forma rítmica aceitável. Karol começa a trabalhar e planeja uma forma de ficar rico e de dar o troco na ex-esposa, uma vingança que ponha Dominique na mesma situação dele. Afinal, igualdade é o que Karol deseja.

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Definitivamente o diretor Krzysztof Kieslowski provou ter uma personalidade eficiente para seu trabalho. Ele já mostrara uma visão abstrata de liberdade e inovou mais uma vez. Agora, alem de repetir a façanha, desta vez mostrando uma visão diferenciada de igualdade, ele consegue fazer com que o elenco atue de forma brilhante e promissora, caso raro, uma vez que o elenco era desconhecido na época; Zbigniew Zamachowski, nos apresentou um personagem diferente com emoções diferentes, caráter diferente e jeito de ser diferente. A encantadora Julie Delpy foi uma francesa meio sem sal e unidimensional, estranha até. A atuação dela foi boa, mas a personagem que ela interpretou não conseguiu fazer com que o público se identificasse. A fotografia mais uma vez trabalhou de forma brilhante, as cores que foram realçadas e deixadas em um patamar mais elevado com o predomínio da cor branca. A trilha sonora não deixou a desejar com incursões na hora certa e do jeito certo.

Pode-se dizer que analisar individualmente os três filmes da Trilogia das Cores é um erro. As três obras foram concebidas ao mesmo tempo, com um objetivo único: analisar o lema da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade) à luz da ética humanista que sempre marcou o cinema de Kieslowski. Os filmes são independentes, mas intercambiáveis; os personagens de um realizam breves aparições nos outros, referências a acontecimentos de um são feitas por personagens dos outros, e assim por diante. Há até mesmo uma figurante que executa a mesmíssima ação nos três filmes, sob o olhos de cada um dos protagonistas – uma senhora que tenta jogar uma garrafa no lixo reciclável.

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O filme, além de ter muitas reviravoltas e um pouco de imprevisibilidade, é sujeito a conclusões distintas. De fato, o objetivo maior de Kieslowski parece ser criar pontos de unidade dentro da trilogia, pequenos momentos que ajudem a platéia a estabelecer conexões – não necessariamente de espaço ou tempo – entre os personagens de cada história. É por isso que os três filmes só fazem pleno sentido quando vistos como obra única. Os dramas enunciados por eles são universais, eternos. O diálogo de Kieslowski com o inefável, o divino, é incessante.

Kieslowski fez um filme que possui semelhanças e diferenças com o seu antecessor. Pontos fortes e fracos fazem este filme ser contrastante, mas tão bom quanto o anterior. Se a liberdade possui cor azul, podemos dizer que pombos, neve, vestido de noiva, parede de estação de metro e igualdade possuem cor branca.

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