Cine Clássico: Rastros de Ódio (1956)

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Título original: The searchers
País de origem: Estados Unidos
Direção: John Ford
Roteiro: Frank S. Nugent
Gênero: Western

Um filme que começa com uma porta se abrindo e encerra com outra porta se fechando provavelmente reserva-nos uma boa história. Repleto de longos planos, atores muito bem posicionados e coreografados durante os diálogos, fotografia resultante de uma genialidade imensurável e uma história, que para a época era um tanto sombria, Rastros de ódio é um western dirigido pelo casmurro John Ford, conhecido por ser um excelente contador de histórias.

A porta se abre e Martha Edwards (Dorothy Jordan) segue avançando pela varanda, ouvindo som da chegada de um cavalo. É o seu cunhado Ethan Edwards (John Wayne) se aproximando. A família toda o recebe calorosamente. Enquanto jantam, Martin Pawley (Jeffrey Hunter), um mestiço encontrado pelo próprio Ethan quando criança e que foi criado por Martha e Aaron Edwards (Walter Coy) como filho chega e os encontram ao redor da mesa. Ethan não demonstra tanta satisfação em vê-lo. Mas percebemos a empolgação e a admiração que o sobrinho esconde pelo tio postiço.

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Ethan sai com o reverendo e Martin a cavalo para investigar uma matança de gado. Ao retornar, encontra a casa do irmão incendiada e toda a família morta pelos comanches, tribo indígena do local. Ao entrar na casa, Ethan sai com a cena da matança na qual guardará na memória para toda a sua vida. Percebemos o horror testemunhado pelo personagem quando este chega a socar o sobrinho para que este não veja e guarde na lembrança a mesma cena de terror vista por ele.

A partir de então, Ethan e Martin avançam em uma saga na tentativa de resgatar a sobrinha Debbie Edwards (Natalie Wood) que foi sequestrada pelos comanches com a esperança de encontrá-la viva. Porém, após cinco anos de saga, Ethan percebe que a sobrinha adquiriu os mesmos hábitos que os comanches.

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O filme fala sobre ódio, derramamento de sangue, guerra e racismo. Tudo o que compõe a história norte-americana ao longo das décadas. O protagonista é o bom e velho herói americano, carrancudo, bruto, que guarda consigo, além da experiência da guerra da secessão norte-americana, algo de triste, de melancólico e amargurado em seu silêncio.

É o mesmo herói, que fica do lado de fora da porta, quando esta se fecha no fim do longa-metragem. Triste e como se não mais compunha aquele universo. O visual é incrível. Enquadramentos milimetricamente perfeitos e um trabalho primoroso com os movimentos da câmera. As cores quentes do filme nos remete ao velho oeste americano, ao mesmo tempo que essas cores vibrantes nos informava que há algo de sombrio revelado nas cenas de que algo de ruim estaria por vir. Tudo isso proveniente de uma transição hollywoodiana em relação ao sistema technicolor, uma nova tecnologia que estaria sendo implementada.

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Realizar um filme com tal temática realista demais para a época era competência para John Ford. Especialista no gênero western, foi o único cineasta a ganhar 3 Oscars, devido a sua excelência na direção de seus filmes. Ford realizou o filme com tanta graça, que conseguiu passar para o público a profundidade de cada personagem ao longo do enredo. A troca de olhares entre Ethan e a cunhada, nos fez perceber que havia algo inacabado ali, mas ninguém jamais saberia ao certo o que seria.

Rastros de ódio conseguiu se manter como obra-prima em seus quase sessenta anos de existência tendo o reconhecimento de diretores como Martin Scorsese e Steven Spielberg como sendo uma das maiores obras cinematográficas já produzidas.

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