[Coluna de Quadrinhos] HQs independentes ganham continuação

 

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Por Francisco Costa

Às vezes, quando uma história faz muito sucesso, ela ganha uma continuação. Outras vezes a sequência já era planejada desde o começo e, ainda, em outras ocasiões não cabe tudo em uma só história.

Não importa o motivo, os fãs sempre (ou quase sempre) ficam muito felizes em saber que um material que eles tanto gostaram vai ter uma segunda edição, ou terceira, quarta… Porém, quando algo independente, talvez até despretensioso, sai do primeiro volume e chega ao segundo degrau, é algo que vale realmente a celebração.

Este é o caso das HQs Hurulla Volume 2, de Clayton inLoco, e Ciclanos e Ciclanas (continuação de Fulanos e Fulanas), de Pedro Hutsch. Pensando nisso, o Caneta e Café conversou com os dois autores. A entrevista, praticamente a mesma, você confere logo à frente, depois das sinopses.

Confira uma das páginas do volume 2 de Hurulla, desta vez totalmente feito a mão

Confira uma das páginas do volume 2 de Hurulla, desta vez totalmente feito a mão

Hurulla Vol. 2

Hurulla é também o nome do misterioso guerreiro que protagoniza as histórias de Clayton inLoco. A trama é ambientada em um mundo fantástico, que poderia muito bem ser um passado distante e esquecido do nosso. Bandidos, guerreiros, magos e muita ação não faltam na aventura ao melhor estilo Conan.

Ciclanos e Ciclanas

Já falamos um pouco sobre a continuação de Fulanos e Fulanas. CLIQUE AQUI.

ENTREVISTAS

Clayton inLoco, 34 anos, ilustrador e quadrinista

Caneta e Café – Por que fazer uma continuação?

Clayton – Na verdade não vejo como uma continuação, mas como um prosseguimento na história. Gosto de contar pequenas histórias que se resolvem sozinhas, mas que se encontram no final formando um todo, a saga completa. Ainda pretendo produzir muitos volumes do Hurulla, em torno de 10 a 12. A história tem fim, só ainda não sei como vou chegar lá.

Caneta e Café – O que esta acrescenta em relação à primeira?

"É revelado um pouco mais do passado do personagem e sua motivação e um pouco mais do seu universo", diz Clayton

“É revelado um pouco mais do passado do personagem e sua motivação e um pouco mais do seu universo”, diz Clayton

Clayton – É revelado um pouco mais do passado do personagem e sua motivação (mesmo que em dose homeopática) e um pouco mais do seu universo. Mudo um pouco a arte, pois hoje já desenho um pouco diferente. A primeira fiz toda de forma digital, e o volume 2 voltei a fazer de forma tradicional, que estou gostando bastante. Com exceção da colorização da capa que vai ser feita por colorista, é tudo na mão!

Caneta e Café – A primeira edição foi viabilizada pelo Catarse e nesta segunda você quer repetir o feito. Por que escolheu esta forma?

Clayton – Fiquei muito feliz com a repercussão da campanha anterior do Catarse, embora o trabalho que deu com a logística pra entregar tudo foi estressante, e isso pra um cara nada organizado dificultou em dobro! Mas com o Catarse eu cheguei a um público que talvez não alcaçaria por outros meios. Fora a possibilidade de baratear os custos de impressão pro preço final ficar mais convidativo pro leitor. Então optei novamente por esse caminho. Espero que dê tudo certo novamente.

Caneta e Café – O valor subiu em relação à campanha anterior. Por quê?

Clayton – Dois fatores pesam nessa conta. Primeiro, estou fazendo de forma tradicional, o que gera custos com papel, pincel e nanquim de qualidade, etc. Custos que no volume 1 não tive, pois fiz tudo de forma digital. Juntando isso as recompensas que deram um “Up” em relação à campanha anterior, que eram bem pobres, admito. Segundo: por inexperiência calculei mal a outra campanha e se não tivesse arrecadado 15% a mais tinha me ferrado. E como os custos da gráfica aumentaram bastante, não teve jeito.

Caneta e Café – Quer dizer algo mais?

Clayton – Gostaria de pedir o apoio de todos pra esse projeto que é feito com muito empenho e amor aos Quadrinhos. Não é nada que vá revolucionar nada, apenas uma boa história que espero estar bem desenhada (risos).

Confira o projeto AQUI

"Esses projetos têm me dado a oportunidade de trabalhar com artistas incríveis com quem talvez eu nunca tivesse a oportunidade", celebra Pedro

“Esses projetos têm me dado a oportunidade de trabalhar com artistas incríveis com quem talvez eu nunca tivesse a oportunidade”, celebra Pedro

Pedro Hutsch, 27 anos, publicitário, escritor e quadrinista

Caneta e Café – Por que continuar Fulanos e Fulanas?

Pedro – Acho que o Ciclanos e Ciclanas é uma continuação basicamente por motivo de necessidade. Veja bem, lá atrás, bem no começo, quando chegou essa história de fazer tirinhas de joaninhas, eu nunca imaginei que ia continuar fazendo elas sozinho. Eu sou um quadrinista que não desenha (!) e minha ideia inicial pro Joãos e Joanas era reunir tirinhas de joaninhas de diversos artistas. Mas a coisa foi indo e apenas eu criava o conteúdo constante do site. Foi nesse clima que criei, por exemplo, o Concurso das Joaninhas – são cinco artistas convidados criando suas tirinhas de joaninhas. Foi a maneira que consegui fazer a ideia original acontecer.

A partir de 2012, com meu primeiro livrinho lançado, comecei a ir nos eventos e a conhecer muitos quadrinistas. Em 2013 fui ao FIQ, quando meus contatos com o pessoal do meio cresceram exponencialmente. Percebi que eu conhecia gente boa o suficiente para reunir em um livro essa proposta de vários artistas “joanando”. Decidi fazer algo viável: 50 artistas. É muita coisa, mas é possível. Juntei meus amigos de webcomics e de eventos e consegui fazer um baita time. O nome veio na hora, pois é uma expressão muito usada de onde peguei o conceito que deu origem ao próprio Joãos e Joanas: Fulanos e Fulanas. Aí tudo se encaixou. “Fulano” faz parte de um contexto, fulano, ciclano, beltrano. Eu atenderia aos requisitos de fazer uma trilogia nerd e atenderia à minha loucura de completar o número 150 – no total da coleção (meu primeiro livro, por exemplo, tem 150 tirinhas).

O que eu não imaginava é que essa continuação viria tão rapidamente… O Fulanos e Fulanas foi muito bem recebido e o número de eventos de HQ cresceu muito em 2014, conheci mais gente ainda, muitos se mostraram interessados em participar da edição. Não resisti e resolvi me organizar para fazer um segundo Catarse, agora focado num projeto de tirinhas. E assim que eu conseguir respirar, começo a preparar o Beltranos e Beltranas.

Ciclanos e Ciclanas traz 50 artistas brasileiros interpretando 50 tiras de Joãos e Joanas, de Pedro Hutsch

Ciclanos e Ciclanas traz 50 artistas brasileiros interpretando 50 tiras de Joãos e Joanas, de Pedro Hutsch

Caneta e Café – O que muda nessa continuação?

Pedro – O maior ganho é o mais óbvio: 50 artistas. Eu já tinha ficado impressionado com a equipe incrível que consegui juntar para o primeiro livro e estou impressionado novamente com o pessoal que está participando deste. Além do time, tem 50 tirinhas minhas, fiz uma seleção bem legal e procurei deixar um pouco mais leve que o Fulanos.  Além disso, o outro livro eu lancei de maneira independente, isto é, do meu bolso; agora, buscando financiamento coletivo, vejo o quanto a própria maneira de publicação influencia na obra. Dessa vez fiz um texto contando sobre cada artista, por exemplo, então existe um universo ao redor do livro que não chegou a existir da primeira vez. Essa soma de coisas, artistas, conteúdo e engajamento, traz muito significado para a obra.

Caneta e Café – A primeira edição foi viabilizada forma independente e nesta segunda você escolheu o Catarse. Conta pra gente por que a mudança.

Pedro – Bom, o primeiro motivo é o financeiro, claro (risos). Ano passado fiz dois livros do universo das joaninhas simultaneamente. Um foi o Tudo Já Foi Dito, um roteiro contínuo de 36 páginas, sendo desenhado por 18 artistas diferentes. Foi a primeira história longa das joaninhas e numa proposta bem inovadora, com um roteiro mais denso. Junto com ele fiz o Fulanos e Fulanas e não daria certo fazer duas campanhas em paralelo – uma já é um sufoco. Resolvi fazer de maneira independente e deixar disponível nas recompensas do Catarse para quem quisesse adquirir. Como eu disse, ele foi extremamente bem recebido (para minha felicidade, ambos livros foram), então resolvi tomar fôlego e adiantar meus planos, dando início ao Ciclanos e Ciclanas. Como ficaria complicado para mim investir novamente do bolso num período tão curto de tempo e já que gostei muito da experiência que tive com o Catarse, que apesar de exaustiva é revigorante, resolvi levar esse projeto para a plataforma.

Caneta e Café – Gostaria de acrescentar algo?

Pedro – Esses projetos têm me dado a oportunidade de trabalhar com artistas incríveis com quem talvez eu nunca tivesse a oportunidade de trabalhar. Além de gerar um resultado que tem valor em si, eles estão me proporcionando experiências únicas. Sem contar que ter essa galera de peso participando do meu trabalho e da minha história de alguma forma me devolve uma aprovação sobre o que venho fazendo. Já valeu à pena pelo processo em si. E o Catarse acaba enriquecendo esse processo. Eu só tenho a agradecer. Espero que isso tudo agregue o mesmo tanto para as pessoas que têm participado de alguma forma, quanto tem agregado para mim. Ah, e se você não apoiou, apoia lá! 😀

Confira o projeto AQUI

Francisco Costa é jornalista e fã de quadrinhos

 

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