[Coluna de quadrinhos] Rodney Buchemi fala de seu novo quadrinho autoral e suas experiências na Marvel e DC

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Por Francisco Costa

O ilustrador e quadrinista Rodney Buchemi tem 41 anos e quase duas décadas de experiência no mercado da nona arte. Tendo atuado nas gigantes Marvel e DC, o artista tem uma bagagem de pra quadrinista nenhum colocar defeito.

A ordem de Licaão será lançada oficialmente no FIQ
A ordem de Licaão será lançada oficialmente no FIQ

Porém, Buchemi já se sente a vontade para fazer sua própria HQ, A Ordem de Licaão, que será lançada no Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ), neste mês. Curiosos sobre a produção, conversamos com ele sobre a revista, sua carreira e mais. Confira.

Entrevista

Caneta e Café – Atualmente você trabalha em um material autoral, que pretende lançar no Festival Internacional de Quadrinhos. Fale um pouco sobre ele.

Rodney Buchemi – Há muitos anos que pretendia fazer algo meu. Por quase 18 anos venho trabalhando com a produção de quadrinhos como desenhista para editoras independentes e para as grandes do mercado internacional. Como muitos quadrinistas, eu também tenho meus próprios personagens em seus universos que criei e lapidei ao longo dos anos. Esse projeto significa um autoamadurecimento profissional, fazendo-me sentir preparado para enfim lançá-lo para o público. Se trata de uma história que mistura o gênero de terror com o policial e se passa em Belo Horizonte. A primeira ideia seria para 3 edições mas acho que irá para 4.

Caneta e Café – Sairá por alguma editora ou independente?

Rodney Buchemi – Será totalmente independente. Acredito que assim eu possa ter um maior controle criativo do meu trabalho.

Caneta e Café – Porque lançar no FIQ?

Buchemi tem quase duas décadas de experiência como quadrinista profissional
Buchemi tem quase duas décadas de experiência como quadrinista profissional

Rodney Buchemi – Participo do FIQ desde seu embrião, a BHQ em 1998. Desde então vou ao evento e sempre quis participar de uma forma mais proativa. Lançar meu projeto no FIQ seria uma forma de homenagear o evento e a cidade.

Caneta e Café – Os eventos de quadrinhos tem crescido no Brasil. FIQ, CCXP e muitos outros. A que se deve isso e o que acha desse movimento?

Rodney Buchemi – Acredito que a nova geração de leitores de quadrinhos tem crescido bastante, o que leva ao crescimento e surgimento de novos eventos para este público. Bem como a nova era do cinema baseado em personagens dos quadrinhos, que apresenta personagens de décadas de histórias para um público que não era tão habituado com o gênero. Esse movimento crescente nos coloca em um patamar de competição com grandes eventos de quadrinhos do exterior, como a New York Comic Con e a San Diego Comic Con. O Brasil é um país com um grande número de quadrinistas. Nós exportamos muitos artistas para o mercado no exterior e eventos como o FIQ e CCXP abrem espaço, também, para o quadrinho autoral, mostrando para o público que não é só Marvel e DC que produzem boas histórias.

O artista tem um grande carinho pelo personagem Thor, o primeiro que ilustrou para a Marvel
O artista tem um grande carinho pelo personagem Thor, o primeiro que ilustrou para a Marvel

Caneta e Café – Além de seu trabalho autoral, tem atuado para as empresas Marvel e DC, etc. Nos diga o que tem feito e quando poderemos ler.

Rodney Buchemi – Como este ano será o ano do FIQ e do lançamento do meu projeto no mesmo, me dediquei exclusivamente à produção do meu quadrinho. Portanto, não fiz nada para o mercado exterior nesse ano. Porém, pretendo voltar a fazer amostras até a CCXP para apresentar no evento. Este ano já saíram algumas histórias em que trabalhei para DC nos títulos dos Lanternas Verdes. Acredito que consigamos achar os trabalhos que fiz para a Marvel na CCXP ou até mesmo no FIQ.

Caneta e Café – Você desenhou Hércules, X-Men e outras pra Marvel. Também fez trabalhos para a DC Comics. Como é trabalhar para uma grande editora? Tem preferência por alguma das duas?

Rodney Buchemi – Bom, sou muito fã da Marvel! E começar minha carreira trabalhando para a Marvel foi a realização de um sonho. E comecei com um personagem que curto bastante, o Thor. Minha trajetória na Casa das Ideias foi muito boa e educativa. Trabalhei com roteiristas de grande renome como Louise Simonson, Fred Van Lent, Greg Pack, o grande Chris Claremont e o mestre Stan Lee. Na DC não foi diferente, porque em cada trabalho eu aprendia mais e crescia profissionalmente com os desafios que havia nos roteiros. A DC é como uma família bem grande. Sou muito bem recebido e tenho um grande apoio editorial quando pego um roteiro pra trabalhar. Os editores sempre mandam muitas referências para que eu não me preocupe em pesquisar, somente desenhe e dê o meu melhor.

Caneta e Café – Tem algum trabalho que considere especial, que tenha gostado mais de fazer?

Rodney Buchemi – Na Marvel trabalhar com X-Men, junto com Chris Claremont foi um sonho realizado, mas tenho um carinho muito grande com meu primeiro trabalho que foi com o Thor, roteirizado pela querida Louise Simonson e é claro o Hércules, junto com o amigo Fred Van Lent. Na DC fiz um trabalho recente com o Lanterna Verde John Stewart, que gostei muito por me dar a chance de criar alienígenas de diferentes desings – o que foi bem divertido de fazer, além de eu gostar bastante do personagem.

Caneta e Café – E qual personagem gostaria de desenhar?

Na história do lanterna verde John Stewart, Rodney pôde criar vários designs de alienígenas
Na história do lanterna verde John Stewart, Rodney pôde criar vários designs de alienígenas

Rodney Buchemi – Sem sombra de dúvida Conan, o Bárbaro! É meu personagem favorito dos quadrinhos. Cresci lendo suas histórias.

Caneta e Café – E o que é preciso para entrar nesse mercado?

Rodney Buchemi – Dedicação, disciplina, humildade, aceitar críticas e opiniões, aprendendo a filtrá-las; desenhar bastante, estar sempre disposto a crescer como profissional e ouvir muito o que o público tem a dizer sobre seu trabalho. O público é o seu maior crítico.

Caneta e Café – Gostaria de acrescentar algo?

Rodney Buchemi – Sim. Duas coisas… Primeiro esqueci de mencionar um quadrinho independente que trabalhei chamado Dread and Alive, que foi uma escola para mim. É um quadrinho de uma empresa chamada Zoolook.com, de San Francisco CA. Trabalhar com seu fundador e criador, o Nicholas da Silva, foi excelente. Ainda faço algo para ele de vez em quando. E segundo, se você pretende ser um quadrinista, aprenda a ouvir críticas sobre seu trabalho. Escute o que um editor tem pra lhe dizer, pois ele está ali avaliando seu trabalho e não sua pessoa. Nunca leve para o lado pessoal uma crítica do seu trabalho. Aprenda a filtrar e a tirar o melhor de cada crítica e crescer com ela.

Caneta e Café – Muito obrigado!

Rodney Buchemi – Muito obrigado e boa sorte!

Francisco Costa é jornalista, especialista em marketing e comunicação digital e fã de quadrinhos – jor.francisco.costa@gmail.com

 

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