Jovem errado é identificado como autor de ofensas racistas a Jorge Ben Jor

Jorgeelucas
Jorge Ben Jor e Lucas Figueiredo, jovem identificado erroneamente de racista

No último sábado, 13, durante uma apresentação do cantor Jorge Ben Jor no Circo Voador, no Rio de Janeiro, a canção “Take it easy my brother Charles” foi interrompida, após o músico sofrer ofensas racistas vindas de alguém do público. Jorge Ben teria pedido às pessoas que identificassem o autor dos xingamentos e erroneamente o público apontou para o jovem Lucas Figueiredo.

O cantor pediu para que Lucas subisse ao palco, onde começaram uma discussão. Na realidade, Lucas tentava se explicar, enquanto Jorge Ben Jor se alterou equivocadamente. Após serem separados por membros da banda, o show continuou.

Depois de ser informado sobre o erro que cometeu, Jorge Ben Jor escreveu uma carta para Lucas e se encontrou pessoalmente com o fã para lhe pedir desculpas. A carta e toda a história foi explicada no perfil pessoal e amigo do cantor, o jornalista Joaquim Ferreira Santos. O jornalista ainda explicou que Jorge Ben Jor tem sofrido perseguição, em seus shows,  de pessoas que chamam a atenção do músico apenas para disparar xingamentos racistas.

Confira a carta de Jorge Ben Jor a Lucas Figueiredo na íntegra:

ERRARE HUMANUM EST
“Eu vou torcer pela paz
Pela alegria e pelo amor…”

A maior benção que um artista pode receber é a ver a propagação natural da filosofia que permeia seu trabalho, sua aplicação mais prática.

Ter um fã é ter um amigo e multiplicador que atravessa o tempo e a essa contingência que é ser. E Ser é esse desafio de forças.

Nunca é tarde para mais uma lição, para mais uma surpresa: Por vezes a vida é tão maravilhosa que temos a chance de aprender de um episódio traumático que sim, errar é humano, mas o amor é ainda mais.

E foi a partir de um engano meu que me chegou a benção do seu perdão, Lucas.

Abraçar você e sua família, me trouxe a paz que há meses eu vinha perdendo durante os shows a cada episódio de provocação gestual e velada, a cada ofensa sussurrada após longos assobios, sempre do mesmo lado do palco, sempre na mesma canção.

Sim, você assobiou, mas foi para me trazer de volta pra energia que move minha vida: O amor.

E é essa força inquebrantável que me fará agora, sob nova perspectiva, encarar cada ato racista como antítese ao que fazemos juntos a cada show, sim, eu e você, sim, o público, meus fãs e meus grandes amigos, meus fiéis escudeiros.

Salve Simpatia, ou como diria o Lucas,
“O amor sempre vence”.

Respeitosa e humildemente,
Jorge

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