Uma sala para Cora Coralina

As arquitetas Andréia Spessatto e Náira Sá assinam a Sala de Cora da 21ª edição da Casa Cor Goiás,  pensada para homenagear e vida e a obra da maior poetisa goiana de todos os tempos: Cora Coralina.

Reconhecida internacionalmente, a própria Cora Coralina dizia, em vida, que seus escritos estavam à frente de seu tempo  eram destinados para as futuras gerações. Fazendo o caminho inverso,  as jovens arquitetas Andréia Spessatto e Náira Sá assumiram o desafio de criar um ambiente contemporâneo para a poetisa que viveu no século passado. Esse é o espírito da Sala de Cora, que integra a 21ª edição da Casa Cor Goiás, que será realizada de 12/05 à 21/06 no antigo Colégio José Carlos de Almeida, no Centro de Goiânia.

“O ambiente propõe uma releitura do que seria a sala de estar da escritora na atualidade. O intuito é homenagear tanto a vida quanto a obra da poetisa, que escreveu com maestria sobre o cotidiano, a infância, o amor e a força da mulher”, definem as arquitetas.

Ao pensar em um projeto que exalasse a alma e a poesia de Cora, as arquitetas buscaram as entrelinhas da obra deixada pela poetisa. Foi assim que surgiu a ideia de trazer para o ambiente um grande protagonista, uma árvore Jasmim Manga, de dois metros e oitenta de altura, assim como um cacto de 3 metros de altura. “A natureza está presente em seus escritos, especialmente os que fazem menção a sua infância, e, portanto, não poderia ficar de fora do ambiente”, diz a arquiteta Náira Sá.

Outro ilustre integrante do espaço será o balanço, outro objeto bastante presente em sua obra. “Ele remete ao seu jeito simples e otimista que ela enxergava a vida, o que é um ensinamento para todos nós”, explica Andréia. As arquitetas escolheram a peça assinada pelo  designer Bruno de Carvalho, que não por acaso criou essa peça tendo como referência sua infância junto com seu avô , a peça em couro foi costurada à mão.

Embora faça menção à simplicidade de sua rotina, Andréia e Náira idealizaram um projeto de linhas elegantes pois, descobriram com suas pesquisas na Cidade de Goiás e entrevistas com familiares da escritora que, embora fosse simples, Cora nutria  imensa admiração pelo belo. “Nosso desafio foi traduzir esses dois valores na arquitetura, unindo sofisticação à simplicidade”, ressalta Náira.

No chão, o piso de demolição remete aos casarões antigos da Cidade de Goiás, onde vivia a escritora boa parte da vida. Ainda fazendo menção a seu tempo, elas usaram o pinázio para adornar os espelhos e um painel de mármore branco nobre.

O mobiliário é composto de peças assinadas por renomados designs nacionais, como as poltronas Begs de Sergio Rodrigues, catalogadas em 1960, e o sofá Piano do designer Emerson Borges.

Para os adornos, mais uma vez há um encontro do presente com o passado. Tachos de cobre, que eram cotidianamente usados pela escritora para fazer doces, livros e máquina de escrever, assim como uma rosa relembrando a flor preferida de Cora, conversam com peças atuais, como a tela de Carlos Sena (goiano, in memorian), as cabeças de cerâmica das designers Cida Lima e Neguinha, entre outras. No projeto luminotécnico, elas escolheram o pendente em murano e luminárias de pé do design italiano Manuel Vivian.

A cor escolhida foi o verde urbano da Suvenil. “A intenção não é apenas pelo fato de o verde ser uma tendência, mas também pelo seu significado, que remete à fertilidade, liberdade, tranquilidade, natureza, inovação, esperança, vitalidade e frescor. Temas também sempre presentes na obra de Cora Coralina”, relata Andréia.

Um pouco sobre Cora e sua obra

Apesar de cultivar hábitos de uma vida simples do interior, Cora Coralina demonstrou em seus versos que era uma mulher à frente de seu tempo. Trazia o cotidiano, a infância, o amor e a feminilidade em seus versos, mas revelava-se estar à frente de seu tempo por enfatizar em suas mensagens a liberdade, a força, o amor e o otimismo. Ela mesma dizia escrever para as futuras gerações, sabia que não ia encontrar eco no período em que viveu.

Viveu de 1889 a 1985, tinha apenas a terceira série primária. Começou a escrever  aos 14 anos de idade, publicando seus textos já com pseudônimo Cora Coralina nos jornais da Cidade de Goiás, onde vivia, e também de outras cidades. Sua profissão era doceira mas, em paralelo, escrevia e recitava suas poesias a cada cliente a quem vendia seus doces. Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores.

Seus textos começaram a ter mais visibilidade após ser saudada por Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil nos anos 80. Cora Coralina foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro “Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha”. Entre suas principais obras estão: Estórias da Casa Velha da Ponte (contos), Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, Meninos Verdes (infantil) e Meu livro de cordel e outros.

 

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