[Coluna de quadrinhos] Estudo e dedicação marcam trajetória da roteirista Larissa Palmieri

O primeiro trabalho profissional de Larissa como roteirista foi Starcrust, em Space Opera em Quadrinhos

Larissa Paiva Palmieri é publicitária e roteirista de quadrinhos. Ela estreou profissionalmente na coletânea Space Opera em Quadrinhos, da Editora Draco, com a história Starcrust. Porém, ela já conseguiu aprovação de mais dois trabalhos na editora e já ensaia um título autoral.

Com essa ascensão rápida, nada mais natural que um bate-papo com o Caneta e Café. Confira tudo que conversamos a seguir.

Entrevista

Caneta e Café – Você começou profissionalmente como roteirista na coletânea Space Opera em Quadrinhos, da Editora Draco. Como decidiu entrar nesse meio e como foi o trabalho?

Larissa Palmieri – Francisco, antes de qualquer coisa gostaria de agradecer a oportunidade dada para eu poder falar sobre o meu trabalho! Sou uma grande fã de quadrinhos, música, cinema e de cultura pop em geral. Grande parte da minha diversão era comentar e analisar todo tipo obra que eu consumia. Sempre tive um grande prazer em dividir com meus amigos as minhas opiniões sobre tudo e isso me fez ser cada vez mais apaixonada pelo processo criativo envolvido, em especial no storytelling.

Em 2015, eu tive a oportunidade de realizar um curso rápido de roteiro de quadrinhos com o Raphael Fernandes e, desde então, eu não parei mais de estudar e de produzir roteiros para quadrinhos. A intenção inicial foi entender melhor como tudo isso funcionava e, principalmente, sair da minha zona de conforto como uma profissional que sempre trabalhou com criação no mercado publicitário. Fiz cursos no Instituto HQ, também com o Raphael, na Quanta Academia, com a Marcela Godoy, e na HQ em Foco, com o Daniel Esteves.

A partir de então eu comecei a participar dos processos de seleção para as coletâneas da Draco e, ao lado de artistas espetaculares, felizmente fui selecionada até o momento em dois projetos. O primeiro é o Space Opera em Quadrinhos e o outro é o já anunciado Periferia Cyberpunk. Também existe mais um projeto em andamento, ainda não divulgado…

O processo criativo do Space Opera em Quadrinhos foi um grande desafio, especialmente por ser um terreno completamente novo para ser explorado por mim. Como se tratava de um tema que eu gosto bastante, mas que não era do meu completo domínio – as minhas maiores referências de Space Opera vieram de jogos de videogame como Halo, Mass Effect, Gears of War, Borderlands – The Pre-Sequel, entre outros – tornou a minha responsabilidade maior ainda com os fãs do gênero. Felizmente o Éder Santos, desenhista da minha história, me ajudou muito a construir os visuais de uma maneira que captou bem o aspecto cru e agressivo da narrativa.

Starcrust é pautada pela raiva e pela sensação de impotência diante das grandes desgraças da humanidade

Caneta e Café – Sua história faz uma crítica aos senhores da guerra e manipulações. Quais seus objetivos com o roteiro?

Larissa Palmieri – A época em que o roteiro estava em produção, uma série de eventos me impactou profundamente. No Brasil, a imprensa falava massivamente sobre o caso do estupro coletivo que aconteceu no Rio de Janeiro e alguns casos de assédio eram debatidos a exaustão na internet e na grande mídia. De alguma forma eu acabei condensando esses sentimentos na história, que basicamente é fomentada pela raiva e pela sensação de impotência diante das grandes desgraças da humanidade. Acredito que a Uliana, a protagonista, representa um grande desejo de justiça após tantas manipulações e maus tratos que acontecem todos os dias pelas pessoas que dominam a sociedade.

Caneta e Café – No Brasil ser quadrinista é difícil, mas ser roteirista parece ser tarefa mais árdua ainda. E se for mulher, o universo parece estar mais fechado. E você tem conseguido isso (já aprovou outros dois textos para publicação). Fale um pouco desse desafio e das histórias que vai lançar por editora a seguir.

Larissa Palmieri – Eu acredito que trabalho duro e ser completamente apaixonada pelo ofício é o que faz a diferença pra mim. Eu gosto muito de produzir os textos e compartilhar com o meu editor, professores e alguns amigos para ouvir críticas e dicas para melhorar. Não sou o tipo de pessoa que funciona só com carinhos na cabeça e no ego, especialmente enquanto estou produzindo. Nós, como roteiristas, precisamos nos levar ao limite em nome da qualidade do nosso trabalho. É muito mais difícil ter a mesma visibilidade que os ilustradores, que tem o impacto da imagem em si ao seu favor. Especialmente no Brasil, ainda tão carente de apreço à leitura. Então a minha preocupação é sempre estudar e praticar cada vez mais para poder contar histórias que cativem as pessoas.

Quando falamos ainda de ser mulher em um meio predominantemente masculino, a coisa fica mais sensível. No entanto, eu acredito ser privilegiada. Sempre tive facilidade de transitar e uma ótima convivência com os caras. Uma das razões para isso é que a minha filosofia básica de trabalho é: mostrar resultados. Se tem algo que eu acho que realmente pode empoderar mulheres é mostrar dedicação e qualidade nas produções em que estejamos envolvidas. Claro que é muito importante que as pessoas discutam e batalhem representatividade mas eu ainda preciso aprender a desconstruir muitos conceitos, então sou mais observadora nesse sentido.

Larissa já tem outros dois trabalhos em andamento pela editora

Caneta e Café – Vi em suas redes sociais que você procura alguém para uma parceria autoral. Pode nos adiantar algo? Do que será, quem fará com você?

Larissa Palmieri – Ainda é algo muito embrionário, mas adoraria fazer contos de terror dentro de um mesmo universo. Tenho tantos colegas desenhistas espetaculares com quem gostaria de trabalhar e nesse formato eu vejo uma ótima oportunidade. Como ainda estou planejando o projeto, ainda não sei detalhes de como essa parceria funcionaria exatamente, mas meu sonho seria pagar cada um dos artistas pelo seu trabalho.

Caneta e Café – Você não vive só disso nesse momento. Ser quadrinista em tempo integral faz parte de seus planos? Fale um pouco de como pretende viabilizar isso.

Larissa Palmieri – Eu realmente adoraria trabalhar apenas com quadrinhos um dia e dedicar meu tempo integralmente para os roteiros, mas sinto que ainda vai levar um tempo para isso acontecer. Seria um plano entre médio e longo prazo. Preciso sentir mais o mercado para dar um passo tão importante como esse.

Caneta e Café – Gostaria de pontuar algo mais?

Larissa Palmieri – Gostaria apenas de agradecer demais a oportunidade de falar com o Caneta e Café e deixar links para vocês conhecerem mais sobre mim e meu trabalho. Na Editora Draco você encontra informações para comprar o Space Opera em Quadrinhos e para acompanhar as novidades sobre o Periferia Cyberpunk. Também tenho um SITE que está passando por um processo de reformulação e trará novidades em breve.

Francisco Costa é jornalista, especialista em marketing e comunicação digital e fã de quadrinhos – jor.francisco.costa@gmail.com

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