DIA DO AMIGO: Misturar amizade e negócios dá certo?

Para muita gente sim. Especialista em gestão, aponta que as duas coisas podem até não se misturarem, mas sim caminharem lado a lado sem interferência. Conheça exemplos de amizades que viraram sociedades promissoras. E veja também como o ambiente de trabalho pode ser o ponto de partida para se fazer bons amigos

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“Amigos, amigos. Negócios à parte”, já diz o ditado que traz uma certa verdade, principalmente quando falamos de pessoas que não conseguem diferenciar as duas coisas, trazendo prejuízo para os negócios e para a própria amizade. Mas segundo o consultor empresarial e especialista governança corporativa, Marcelo Camorim, o sentimento de amizade e a postura profissional podem sim caminhar juntos no ambiente corporativo. Segundo ele, a definição clara das funções de cada um é algo relevante. “Não devemos também ter os ouvidos fechados a cobrança e a críticas profissionais, seja numa relação entre sócios ou no caso onde um amigo está uma posição hierarquicamente acima. Se sabermos separar as coisas, trabalho e amizade podem sim andar juntos”, avalia o consultor empresarial.

Segundo Camorim, se houver essa separação entre a relação pessoal e os negócios, a amizade pode, de certa forma, ajudar. Segundo ele, apartir do momento em que você é amigo de alguém e conhece o jeito dessa pessoa, a relação no trabalho também é mais franca e flui melhor. “É  fácil criar barreiras mentais entre amigos e negócios. Mas há maneiras de gerir estes relacionamentos sem comprometer o trabalho por isso disciplina e meritocracia devem ser palavras de ordem para todos na organização” enfatiza Camorim.

Ex-concorrentes que viram amigos e sócios

Os engenheiros Mário Valois, 64 anos, e Eugênio de Carvalho, 63, se conheceram há 34 anos, e acredite, eles trabalhavam em empresas concorrentes do setor da construção civil. Mas foi daí que surgiu uma bela amizade e uma sociedade promissora, que já dura mais de 30 anos com a Dinâmica Engenharia.

Depois de muitos encontros, por conta da profissão em comum, eles cultivaram um laço de confiança e de admiração pela capacidade profissional um do outro. Para Mário, algumas coisas foram primordiais para que a amizade e a sociedade dessem certo. A primeira, segundo ele, foi a divisão dos trabalhos de forma clara. De acordo com o executivo, um não se envolve no que é da alçada do outro e isso segue até nos dias de hoje. “Eu lido com a área comercial e ele com a produção. É claro que existem as opiniões e ‘pitacos’, porém sempre obedecendo essa regra, jamais um buscou sobressair na área do outro. E além disso, temos personalidades muito distintas e um complementa o outra. Ele sempre foi muito sério e eu mais brincalhão e comunicativo”, ressalta.

O outro diretor, Eugênio de Carvalho, afirma que a forma como lidaram com tudo no início da sociedade foi primordial para que a sociedade e amizade estejam de pé até hoje. “No começo, não íamos um na casa do outro, não havia essa relação familiar. Mas com o nosso amadurecimento vemos que isso também contou para que tudo desse certo. E hoje conseguimos envolver essas duas áreas de nossas vidas , família e trabalho, mas sem deixar que influencie nos negócios”, afirma Eugênio.

Um bom contrato ajuda a preservar a empresa e a amizade

A amizade ou mesmo uma ligação familiar não reduzem, nem um pouco, a necessidade da formalização legal de uma relação de negócios. Aliás, segundo orienta o advogado Caio Gracco, do escritório Walmir Cunha Advogados Associados, a elaboração de um bom contrato societário serve como uma forma de resguardar, não só o bem-estar da empresa, mas também da própria amizade.

Segundo o especialista, mesmo quando a parceria comercial se dá entre amigos ou familiares, é importante ter um contrato de sociedade empresarial para deixar às claras as divisões de responsabilidades, funções e de lucros para cada um dos envolvidos. “É sempre importante se resguardar de futuros conflitos que possam envolver a condução de um negócio”, alerta.

Segundo o Código Civil Brasileiro (CCB), pessoas físicas e jurídicas podem fazer sociedade entre si. Em relação às físicas a lei não faz distinção ou impõe restrições para sociedades entre amigos ou parentes.

Pelo CCB, existem diversas espécies de sociedade empresária, sendo as mais conhecidas a sociedade limitada e a individual. Dentre os modelos de sociedade previstos no CCB, também destacamos a Sociedade em Comandita por Ações. Neste caso há duas categorias de sócios, a primeira é denominada de sócio participante ou oculto, que na prática, é aquele que investe no negócio objeto da sociedade e também participa dos lucros, mas que não responde perante fornecedores e terceiros diretamente envolvidos no negócio. A segunda classificação de sócio nesta Comandita por Ações é denominada de sócio ostensivo, ou seja, aquele que exerce e se apresenta a terceiros (fornecedores, clientes, etc) e que assume as respectivas obrigações.

Perante a legislação aplicável às sociedades empresárias, é possível que empregadores (“patrões”) possam constituir empresas com seus empregados. Neste caso os empregados podem participar dos lucros da empresa realizando atividades, desde que as mesmas não burlem seu contrato de trabalho para determinada função.

Amizade no trabalho dá certo, e muito

Não há como negar que é no ambiente de trabalho onde está o ponto de partida de muitas amizades. E isso pode ocorrer no departamento onde se trabalha, ou até mesmo em outros departamentos, com uma pessoa exercendo uma função totalmente diferente da sua.

A afinidade surge, muitas vezes, de forma espontânea e a amizade extrapola os limites do ambiente organizacional.  E foi assim que surgiu a amizade entre as colegas de trabalho Danubia Borges, 32 anos;  Elisa Lelis, 22; Tainá Carrilho Vaz, 27; e Sarah Stefan Rabelo, de 28 anos, todas colaboradoras da Brasal Incorporações, empresa onde se conheceram há menos de um ano.

Para elas, nada mais natural do que estender uma amizade de trabalho para fora dele em um happy hour às sextas-feiras ou mesmo em viagens de finais de semana, já que é com os colegas de serviço que se passa boa parte do dia.

Por isso, mesmo com pouco tempo de amizade os laços já se consolidaram e hoje, segundo elas, são fortes e hoje além das visitas familiares elas definiram um dia só para curtirem a amizade. “Nós criamos a noite do vinho, daí nos reunimos na casa de uma das meninas e cada uma leva algum petisco e bebida. Também almoçamos juntas sempre que dá. O importante é nos reunirmos, temos confidências umas com as outras e é algo muito bacana, e que nunca que interferiu no nosso ambiente profissional de modo negativo”, ressalta Danúbia.

Analista de projetos na Brasal Incorporações, Elisa Lelis conta que a própria empresa incentiva esse clima amistoso entre os colaboradores. “Na sexta-feira, por exemplo, costumamos ter um horário de almoço mais longo e isso é bom. São frequentes também os happy hours que fazemos e sem falar nas festas de confraternização quando há o cumprimento de alguma meta. Tudo isso incentiva estarmos em contato com o colegas para conhecê-los melhor”, alega.

Mas a jovem admite que ao longo de um ano que está na empresa sentiu de fato uma identificação maior com a Danúbia, Tainá e Sarah. “Sarah inclusive foi a primeira com que tive contato na empresa, pois foi ela quem fez a entrevista para minha contratação. E mesmo sendo muito amigas fora da empresa, a gente consegue separar muito bem o lado profissional da amizade. Acho até que por isso nos damos muito bem”, afirma.

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