Tatuadora troca dor por beleza no Outubro Rosa

Isabella Piagetti abre pela segunda vez as portas de seu estúdio para atender gratuitamente vítimas de câncer

Outubro é um mês marcado pela busca da conscientização acerca de um dos tipos mais comuns de câncer, o de mama. E tão alta quanto a incidência dessa variação da doença que atinge em sua maioria mulheres é também a devastação que ela. Foi isso que moveu a tatuadora Isabella Piagetti, que nesse Outubro Rosa, abre pela segunda vez as portas de seu estúdio, o West Ink Tattoo (Rua 29, nº 12, Casa 2, setor Oeste, Goiânia, 62 9 8142-4231), para atender gratuitamente vítimas de câncer que querem dar novo sentido às marcas da superação.

Desde o fim do século XX o décimo mês do ano assume a simbologia do rosa na tentativa de chamar atenção de mulheres ao redor do mundo para a necessidade da vigilância. Importância do auto-exame e de acompanhamento médico de rotina a partir dos 35 anos são algumas das bandeiras levantadas na tentativa de reduzir o número de vítimas do segundo tipo de câncer mais comum no mundo.

Responsável por 28% dos casos segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a variação que acomete as mamas está entre as maiores causas de mortalidade entre as mulheres, mas mesmo as pacientes que sobrevivem à doença precisam lidar com duras sequelas que poucos tratamentos são capazes de extinguir.

E foi exatamente o sentimento de empatia nascido de um desses casos que levou a tatuadora Isa Piagetti a idealizar a ação de atendimento gratuito em outubro. “A ideia surgiu por conta da mãe de uma cliente que estava passando pelo procedimento de mastectomia. Por conta da cicatriz ela não saía mais, não usava as roupas que gostava, se sentia deprimida. Ela havia gasto tudo quimioterapias então resolvi fazer sem cobrar nada e ela já saiu do estúdio de regata, feliz pra mostrar a tatuagem”, relembra.

Percebendo o efeito que sua intervenção havia desencadeado na auto-estima de uma sobrevivente do câncer de mama, Piagetti resolveu limpar sua agenda no mês de outubro para oferecer essa injeção de ânimo a outras mulheres com histórias semelhantes.

Contudo, a procura foi tanta que a tatuadora não só teve que seguir tatuando até novembro como precisou também de rever o foco de seu atendimento. “Com a campanha apareceram outros tipos de cicatrizes como abusos, violências doméstica, sexual e até médica, então resolvi incluí-las na campanha também”, explica.

Em pouco tempo o estúdio de Isabella já recebia mulheres de outras cidades que buscavam na beleza de sua arte ou da reconstrução de mamilos dar novo significado para marcas que delimitavam eternas lembranças de uma dor que extrapolava o sentimento físico.

No segundo ano da campanha, o West Ink Tattoo aguarda novamente mulheres que querem ressignificar o passado de dor em superação ou simplesmente dar nova cor e aparência ao que hoje preferem esconder. A triagem para os atendimentos demanda a confirmação médica de que o processo da tatuagem não irá interferir no tratamento da paciente ou do boletim de ocorrência contra a violência sofrida numa tentativa ainda de incentivar a mulher a não se calar diante de abusos sofridos.

 

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