Preconceito velado é pior do que o mostrado pela mídia

Por Nara Bueno

Especial para o Caneta e Café

Brasil é o país com com maior população negra fora da África (Foto: Freepik)

O Brasil, fora a África, possui a maior população negra do globo, conforme dados do Institute for Cultural Diplomacy sobre a diáspora África no mundo, divulgada no ano passado: cerca de 86 milhões. Porém, esse povo sobrevive em condições sub-humanas com situações de declínio social e comportamental, ocupando, assim, o grau mais baixo da pirâmide social, com atividades de menor remuneração e subemprego.

Eles ainda acabam por não contar com as políticas sociais tais como saúde, educação, assistência social, esportes, cultura e lazer. Acabam, também, no analfabetismo ou sem acesso à educação de boa qualidade, empurrados a marginalização. A diferença no nível de escolaridade se reflete também na renda.

Educação superior

Agnell Júnior, 29 anos, negro, fez dois períodos de Biomedicina tentando seguir a profissão da mãe, que é biomédica. Ele desistiu por ter dificuldade de locomoção e financeira, na época. “Não contei com cotas ou bolsas, pagava com raça mesmo.” Mas não conseguiu.

Filho de mãe caucasiana e pai negro sem graduação, o músico que hoje sobrevive de dar aulas de cordas em geral, pretende voltar a faculdade, mas não mais de biomedicina. Ele quer pedagogia. “Não sinto falta, hoje, de uma graduação. Claro que abre muitas portas, mas em relação às minhas necessidades, tudo corre bem. Um ponto positivo de se graduar é a segurança no mercado que ela te dá. Creio que na luta por um emprego outras coisas pesam mais.

Na faculdade, Agnell revela que não sofreu nenhum preconceito racial, mas diz que o negro convive muito, de modo geral. “Não esse das mídias, mas aquele velado. Disfarçado de ‘piada de mau gosto’, o que é o pior. Mas acho que, afinal, estamos lutando errado contra isso. É mais sobre entender seu valor e mostrá-lo. Ainda há um tanto de feridas a serem cicatrizadas. Um tanto de correntes a serem quebradas.”

Avanço

A oportunidade de fazer uma graduação aumentou quase quatro vezes para a população negra nas últimas décadas no país. Isso se deve a ações afirmativas do Brasil como: o sistema de cotas nas faculdades de diferentes formas desde a década passada.

Ressalta-se a separação de vagas em cursos superiores para determinados grupos, com o intuito de corrigir as diferenças históricas que resultaram em padrões desiguais de inclusão social e direcionado ao acesso à educação. São estas as cotas de: estudantes de escolas públicas e de baixa renda; as raciais, destinadas a negros (pretos e pardos); e indígenas.

Apesar de haver uma discussão sobre vagas para determinada cor ou etnia ser injusta com os outros estudantes, essa medida tem mostrado bons resultados. No ensino superior, o percentual de pretos e pardos que concluíram a graduação cresceu de 2,2%, em 2000, para 9,3% em 2017, segundo dados do IBGE. Mesmo com esse avanço, os negros ainda estão longe do índice dos brancos diplomados.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s