JUSTIÇA: Acusados de atentado contra advogado vão a júri na próxima quinta-feira

Os dois irmãos apontados como autores do envio de explosivo ao escritório do advogado Walmir Cunha, em Goiânia, foram denunciados por tentativa de homicídio triplamente qualificado. No Brasil, desde 2016, já são 72 homicídios contra advogados, mostra levantamento do Conselho Federal da OAB

Walmir Cunha

Os irmãos Ovídio Rodrigues Chaveiro e Valdinho Rodrigues Chaveiro vão a júri popular na próxima quinta-feira (30) às 8h00. Eles são acusados de ter enviado o pacote com uma bomba para o advogado Walmir Oliveira da Cunha, em julho de 2016, e estão presos preventivamente desde dezembro de 2016. O profissional ficou gravemente ferido e teve três dedos e parte da palma da mão esquerda mutilados.

A denúncia do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) pediu o encaminhamento dos dois irmãos, que são policiais federais aposentados, a júri popular por tentativa de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, crime cometido com emprego de explosivo e dissimulação, meio que impossibilitou a defesa da vítima. Na decisão de pronúncia, o juiz Jesseir Coelho, na condição de substituto na 2ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri, considerou que na audiência de instrução e julgamento as testemunhas reconheceram Ovídio como sendo a pessoa que entregou o artefato explosivo para o motoboy levar ao escritório do advogado.

Segundo os autos, a motivação para o crime seria a represália dos acusados em relação a atuação profissional da vítima, Walmir, como advogado em uma ação que reverteu a guarda de uma criança, neta de Valdinho, para o pai e cliente de Cunha. A sessão da quinta-feira (30) será aberta ao público e será presidida pelo juiz Lourival Machado da Costa, titular da 2ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri. Foram arroladas 12 testemunhas, sendo seis de cada parte, e dois informantes. O processo conta com cerca de 2000 páginas será julgado por sete jurados. O presidente da Comissão Nacional de Defesas das Prerrogativas e Valorização das Advocacia (CNDPVA) do Conselho Federal das Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Dr. Cássio Lisandro Telles, virá a Goiânia para acompanhar pessoalmente a sessão plenária do juri, a pedido do presidente do Conselho Federal da OAB, Dr. Cláudio Pacheco Prates Lamachia.

Causa da sociedade
O advogado Walmir Cunha relata que passou por um grande trauma físico e emocional, bem como por um longo processo de readaptação. Apesar do sobressalto permanente, que já levou muitos profissionais ao anonimato e até a abandonar sua atividade, ele escolheu enfrentar essa situação árdua por entender que o atentado que sofreu não apenas contra sua pessoa, mas também contra o Estado de Direito Democrático e contra a própria advocacia.

“Essa causa deixou de ser apenas minha, ela é de toda a sociedade que busca a Justiça, para se assegurar seus direitos. Quando um cidadão entende que pode impor sua vontade por meio da ameaça e da violência, as conquistas da nossa sociedade, como a liberdade e o direito de acesso à Justiça, são fragilizadas. Por isso, é preciso inibir de todas as formas de barbáries contra os personagens eleitos para gerir a justiça no Brasil, como os advogados, juízes e promotores. É em nome de todo cidadão que deseja uma sociedade evoluída e justa que enfrento essa luta”, frisa Walmir.

Homicídios
Um levantamento aponta que 72 homicídios foram cometidos contra advogados de janeiro de 2016 até o momento, sendo 45 assassinatos nitidamente ligados ao exercício da profissão. Os dados são da Comissão Nacional de Defesas das Prerrogativas e Valorização das Advocacia (CNDPVA) do Conselho Federal das Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da qual Walmir é membro.  Em Goiás, o caso mais recente ocorrido em julho de 2018 foi o homicídio do advogado criminalista Sérgio Beze Prates, de 44 anos.

Walmir Cunha escreveu um manifesto com medidas para aprimorar a segurança dos profissionais e o entregou pelas seccionais da Ordem de Advogados do Brasil em todas as regiões do País. Recentemente, foi nomeado presidente da Comissão Temática de Crimes contra a Vida do Advogado para o Encontro Nacional da CNDPVA, agendado para 18 e 19 de setembro em Brasília, onde discutirá as medidas protetivas.

Walmir lembra ainda, que não só os advogados, mas outros profissionais operadores do direito, como promotores, juízes e defensores públicos, e mesmo outras categorias que em seu trabalho buscam assegurar o cumprimento de garantias sociais, como por exemplos os profissionais da imprensa, que não raramente têm sua vida ameaçada em virtude de seu trabalho.Um dos últimos registro, lembrado pelo advogado, é o caso do radialista Jefferson Pureza Lopes, de 39 anos, morto a tiros dentro de casa em Edealina.

Serviço
Assunto: Júri dos acusados de atentado contra Walmir Cunha
Data: 30/8 (quinta-feira)
Horário: 8h30
Local: 2ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri
Mais informações: 62 3522 3163

 

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