As 700 que na verdade eram 20 mil

Sábado, dia 29 de setembro, dezenas de milhares de mulheres tomaram as ruas de todo o País para vociferar #EleNão, em repúdio ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL). O movimento iniciado pela internet, já é considerado a maior manifestação feminina na história do Brasil.

Esta foi feita contra o perigo do retrocesso no marco civilizatório do País. O número total de participantes das manifestações é incerto, porque a polícia não contou, ou apenas divulgou dados imprecisos, como foi no caso de Goiânia.

Foi noticiado pelos principais meios de comunicação da cidade que apenas 700 mulheres participaram do movimento #EleNão. Porém, é possível notar em vídeos e fotos publicadas que havia um número muito maior de pessoas ocupando a Avenida Anhanguera.

As organizadoras estimam que aproximadamente 20 mil mulheres (e homens também) ocuparam o espaço em uma caminhada que saiu da Praça Cívica, passou pela Praça Botafogo e terminou na Praça Universitária. Confira o vídeo a seguir e tire suas próprias conclusões:

O ato ocorreu ao longo do dia 29, em 114 cidades brasileiras, em dez estados do País, mas também houve manifestações contra Bolsonaro fora do Brasil, nas cidades de Nova York, Lisboa, Paris, Berlim e Londres. O movimento contra o candidato à presidência pelo PSL não é de agora. Em março de 2014, surgiu uma das primeiras hashtags contra ele, a #NãoMereçoSerEstuprada, por causa de acusações feitas pelo então deputado do Rio de Janeiro contra a também deputada Maria do Rosário (PT).

Ressalta-se que as redes sociais foram cruciais na popularização do movimento feminista e para a realização da manifestação #EleNão, que se iniciou no grupo do Facebook, Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que tem hoje 3,88 milhões de membros. Após este grupo ser hackeado por apoiadores do presidenciável, o movimento se espalhou e ganhou ainda mais força.

Mulheres, anônimas e famosas, brasileiras e estrangeiras, se uniram e começaram a postar e subir a hashtag #EleNão nas redes sociais como Twitter, Facebook e Instagram.

Mas por que #EleNão?

O discurso de Jair Bolsonaro destila tanto ódio contra tantas minorias que foi a força motriz para desencadear os atos contra o candidato. Mas é claro que ele contou com a ajuda das declarações polêmicas do seu vice, General Mourão (PRTB), do seu “guru econômico”, Paulo Guedes, com o post de apologia a tortura  do seu filho, Carlos Bolsonaro (PSC), e, claro, por causa das notícias envolvendo a sua ex-esposa e o conturbado processo de divórcio entre eles.

As falas de Bolsonaro são tão perturbadoras, que ele não consegue perceber o discurso de ódio quando ele diz que é favorável a tortura, pois, para ele, violência é a resposta. Porém, as vítimas desta sabem o quão nocivos são esses posicionamentos.

Quantos LGBTi já apanharam de suas famílias, quantas mulheres vítimas de violência já se sentiram desamparadas, quantas mulheres negras sofrem diariamente com o abandono, quantos filhos criados só pela mãe e avó sofrem todos os dias tentando buscar um lugar ao sol? Quantas Marielles, quantos Andersons, quantos Marcos Vinícius morrerão por conta de discursos raivosos cheios de ódio?

As mulheres e homens que foram as ruas, no último sábado, sabem o quanto é sofrida a realidade de quem convive com a violência desse discurso na pratica. Quando um candidato baseia toda sua campanha em Fake News, discursos de ódio e mentiras, que futuro você espera para o País?

Um candidato que grita que as minorias devem se curvar as maiorias não é um candidato que está indo contra o sistema, porque não é quebrar o sistema manter os privilégios de quem já tem. É manter o status quo onde pobre continuará pobre. E não se engane, você que vota nesse tipo de candidato, que sua vida vai melhorar, porque ela não vai… Você não é maioria, você é massa de manobra. É uma campanha antissistêmica e conservadora e nenhum pouco liberal. Se é para manter os privilégios de ricos é só deixar tudo do jeito que está.

O Brasil precisa sim de mudanças, mas a mudança não virá da violência, nem de candidatos retrógrados. A transformação virá das mulheres, das mães, dos filhos criados só por mães e avós e isso ficou claro no último sábado.

(Foto: Ana Amélia)
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