Dificuldades da construção civil em meio à Pandemia

Engenheiro civil fala sobre as adversidades enfrentadas nos canteiros de obras e como o CREA-GO poderia contribuir com os profissionais em tempos de Coronavírus

A Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) recorreu na semana passada, dia 3 de julho, para buscar reverter decreto da Prefeitura de Goiânia sobre a abertura e fechamento do comércio e serviços. A liminar conseguida garantia a continuidade do funcionamento dos serviços prestados na construção civil por seus associados. A decisão foi proveniente de um mandado de segurança. Agora aguarda-se manifestação do TJ/GO.

Na tarde do dia 7 de julho, o desembargador Carlos Escher determinou, em caráter liminar, que o setor da construção civil em Goiás não precisa seguir o decreto que estipulou o revezamento entre fechamento do comércio e abertura do comércio a cada intervalo de 14 dias. A decisão foi provocada por um mandado de segurança protocolado pela Associação dos Construtores do Estado de Goiás (Aceg) e pela Federação Nacional dos Pequenos Construtores (FENAPC).

Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) referentes ao estado de São Paulo, divulgados em junho, mostram que o número de infectados atingiu 1,15% do total de 50 mil trabalhadores. No Brasil são mais de 2,5 milhões de trabalhadores presentes nos canteiros de obras. Com base nos dados desse relatório, o ministro Paulo Guedes citou a indústria da construção como exemplo de atividade produtiva que cumpre protocolos em relação à saúde dos trabalhadores. O governo federal chegou a emitir decreto colocando as obras como serviços essenciais.

O dia a dia nos canteiros de obras
Para o engenheiro civil Idalino Hortêncio, que trabalha na área desde 1987, a construção civil de uma forma geral tem sofrido muito em Goiás e no Brasil. “Estamos confusos com as decisões dos decretos, que ora falam que somente podem ter continuidade as obras de infraestrutura dos contratos municipais, estaduais e federais, e agora todas podem voltar às suas atividades obedecendo às normas do Ministério da Saúde (MS)”, destaca o engenheiro.

O engenheiro civil Idalino Hortêncio

O atual cenário impacta a construção civil para o pequeno empresário que vive das reformas, para o médio empresário que vive da construção de pequenas obras e o para o grande empresário de grandes obras da construção civil. Idalino exemplifica que se ele, ou outro indivíduo, tem um problema econômico ocasionado por uma pandemia como a do novo Coronavírus (Covid-19), a primeira decisão é paralisar investimentos. “Ninguém vai deixar de se alimentar, tomar seus medicamentos ou deixar de fazer só mesmo gastos extremamente necessários para fazer investimento em imóveis. Por outro lado, o retorno de investimento também será o último, imagino que as pessoas só vão voltar a investir quando a economia estiver estabilizada e isso demanda tempo”, complementa.

Com mais de 30 anos de experiência Idalino Hortêncio dá uma dica para empresas que trabalham com construção civil. A sugestão é manter a tranquilidade, evitar grandes investimentos, fazer um planejamento e buscar as melhores oportunidades. “Sobre os valores dos imóveis atualmente a oferta é maior que a procura. É só dar uma volta pelas ruas da capital e perceber placas de aluga-se e vende-se. E essa situação mostra que a economia não está se recuperando, mas podemos ter a certeza de que ela vai se recuperar, porém levará um tempo”, diz Idalino.

Preocupação com a saúde dos trabalhadores
Sobre a liminar da Ademi-GO, que recorreu na justiça para as obras privadas voltarem a funcionar, Idalino Hortêncio concorda e apoia. De acordo com ele, com todos os cuidados, os canteiros de obras não devem gerar aglomerações e os ambientes onde são executadas as obras, geralmente, são bem ventilados. O engenheiro também lembra a adoção de medidas severas de controle e desinfecção pelas empresas que já têm incorporadas às suas atividades as questões com a segurança dos trabalhadores, por exemplo, quanto ao uso dos EPIs (equipamentos de proteção individual).

Nas obras têm se feito o escalonamento de horário do pessoal para evitar aglomeração na chegada e saída e para evitar os horários de pico no transporte público coletivo, além da aferição de temperatura dos trabalhadores na entrada e ao longo da jornada diária do trabalho, e o uso de máscaras durante a permanência no canteiro de obras.

Segundo Idalino, com informações obtidas pela Ademi-GO, os trabalhadores pertencentes aos grupos de risco foram afastados do trabalho e são monitorados à distância. Os profissionais também são orientados para evitar cumprimentos com abraços ou apertos de mão e a lavar as mãos e fazer uso do álcool em gel. As refeições são realizadas em grupos pequenos e com distanciamento entre os trabalhadores. Os equipamentos e instrumentos são higienizados com frequência e o uso dos elevadores é feito de forma controlada para evitar aglomeração, algumas obras possuem, inclusive, cabine de desinfecção.

Como o CREA poderia ajudar?
Para Idalino Hortêncio, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO), órgão responsável pela fiscalização do exercício profissional dos engenheiros, agrônomos, geólogos, geógrafos, meteorologistas e tecnólogos que atuam em Goiás, deveria ajudar a classe nesse momento de enfrentamento da pandemia e já pensar em como será o futuro desses profissionais, no momento das atividades voltarem ao normal e da retomada da Economia.

O engenheiro destaca que o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e o CREA-GO deveriam estar à frente de uma ampla discussão sobre as formas de ajudar os profissionais a enfrentarem essa crise, promovendo ações, por exemplo, como a concessão de algum tipo de auxílio emergencial, auxílio de saúde ou contribuindo com o poder público em decisões técnicas a respeito da continuidade de atividades econômicas ligadas às essas profissões.

Outro viés lembrado pelo engenheiro, é que o sistema Confea/Creas tem a sua Caixa de Assistência aos Profissionais (Mutua), e que poderia, neste momento, unir esforços para auxiliar os profissionais que estão enfrentando muitas dificuldades.

Idalino acha que também é necessário pensar em mecanismos para que o profissional possa ser realocado no mercado de trabalho. “O CREA-GO deveria ter dentro da sua plataforma uma conexão entre empresas públicas e privadas, para indicar o profissional que deseja se inserir dentro do mercado de trabalho”, finaliza Idalino.

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