Pontes e viadutos exigem manutenção eficiente

Engenheiro civil Idalino Hortêncio alerta sobre a necessidade de manutenção eficaz dos elevados na capital, tanto por sua durabilidade quanto pela segurança dos cidadãos

Este slideshow necessita de JavaScript.

Grandes obras públicas estão em execução em Goiânia. O viaduto da BR-153, também conhecido como viaduto da Enel, iniciado em maio com previsão de prazo de 180 dias para finalização é um exemplo. A promessa é de desafogar o trânsito na região dos bairros Jardim Novo Mundo e Setor Leste Universitário, com o viaduto atraindo o tráfego de 2.500 veículos por dia.

Mas a pergunta que não se cala é: adianta construir novas estruturas e não conseguir manter em boas condições as existentes?  Engenheiro civil, Idalino Hortêncio, fala sobre a importância da manutenção das pontes e viadutos, obras necessárias para a capital e que demandam cuidados em toda a sua vida útil.

Em 2019, a prefeitura de Goiânia anunciou investimentos da ordem de R$ 700 milhões em obras públicas como pontes, viadutos, asfaltos e outros sistemas de serviços públicos.  As obras de infraestrutura são grandes responsáveis por gerar emprego e renda, além de movimentar a economia do país. Também mobilizam o setor com o trabalho de profissionais das diversas áreas da construção civil, das geociências e da tecnologia.

Porém, quando não são realizadas de forma adequada, por profissionais qualificados, podem gerar diversos problemas em longo prazo. De acordo com o engenheiro, a execução deve ser pensada com o olhar no futuro desde a concepção e a utilização de materiais de qualidade até a manutenção, que vai assegurar a sua durabilidade. “Esse tipo de obra costuma sofrer com a deterioração devido a sua exposição à água, a agentes deletérios e ou ambientes agressivos que podem causar o desgaste da estrutura de concreto”, diz Idalino.

Idalino sempre trafega pela cidade observando as pontes e viadutos. O engenheiro civil percebe o quanto falta manutenção em diversos pontos de elevações de Goiânia. “É só fazer uma rápida observação e ver a deterioração ocasionada pelo tempo, ou por outros motivos, como nas pontes da Marginal Botafogo, repletas de rachaduras e infiltrações e nos viadutos da Avenida 85, onde vemos placas se soltando e rachaduras” afirmou.

De acordo com o engenheiro, a deterioração de pontes e viadutos pode ser desencadeada por diversos fatores agindo em conjunto, como os ambientais, relacionados à agressividade do ambiente, à falta de manutenção, má qualidade do concreto, cobrimentos inadequados, patologias ligadas à má concretagem, crescimento das cargas provenientes do aumento de tráfego, variações do nível da água, além das variações diárias de temperatura.

Idalino alerta, também, para os choques de veículos, problemas com a drenagem causando infiltrações, presença de trincas e fissuras, entre outros. “É importante que sejam feitas inspeções de acordo com a NBR 9462 – Inspeção de pontes, viadutos e passarelas de concreto, e caso seja verificada a necessidade de intervenções, a manutenção deve ser feita de maneira adequada e no prazo estipulado, com reparos e tratamentos das patologias de forma a garantir a integridade da estrutura, prolongando sua vida útil e impedindo sua deterioração”, afirma.

O engenheiro civil Idalino Hortêncio

Normas e especificações
A fim de assegurar a durabilidade das obras de infraestrutura é preciso atentar-se para as normas e especificações que garantem a qualidade de materiais e técnicas construtivas específicas para pontes e viadutos (ABNT NBR 6118 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento), procedimentos a serem seguidos na construção e considerados nas ações de manutenção. Nessas normas, por exemplo, se prevê que se a natureza do terreno e o tipo de fundação permitirem a ocorrência de deslocamentos que induzem efeitos que podem causar a deterioração do material ou deformações, isso deve ser levado em consideração no projeto, explica Idalino.

O engenheiro lembra que os pilares da estrutura, que são passíveis de serem atingidos por veículos rodoviários em movimento, devem ter sua segurança verificada quanto aos choques assim provocados. Dispensa-se essa verificação se no projeto forem incluídos dispositivos capazes de proteger a estrutura contra este tipo de acidente. “Todas as verificações devem ser realizadas em construções e na manutenção de obras especiais como pontes e viadutos, como forma de se garantir, além da durabilidade, a segurança”, afirma o engenheiro.

O engenheiro destaca, ainda, que a análise estrutural compreende os conceitos e os procedimentos necessários, além de reforçar as fundações a fim de evitar possíveis acidentes e gastos desnecessários com a recuperação de obras em processo de deterioração. Segundo ele, a ruptura ou deterioração são processos distintos. “Na primeira, se faz um levantamento para se averiguar as possíveis causas que levaram à condição de ruptura da estrutura, já no segundo caso, é necessário que seja feito um laudo com inspeções e/ou provas de carga na estrutura com o intuito de se verificar a capacidade portante da estrutura”, orienta Idalino Hortêncio.

Tecnologia em evolução
A solução habitual para inspeções em pontes e viadutos prevê o uso de caminhões patolados sobre as obras de arte, que conduzem os profissionais até os locais de vistoria por meio de braços mecânicos articulados e equipados com cestos. Tal trabalho exige a interdição de faixas de rolamento e a elaboração de um plano minucioso para execução das atividades. Outros equipamentos podem ser utilizados, como passarelas provisórias, escadas telescópicas e treliças móveis, complementados por dispositivos de segurança do trabalho instalados sob os tabuleiros, como as redes tensionadas de proteção, explica o engenheiro.

No Brasil e em outros países já são utilizados veículos aéreos não tripulados (drones) para auxiliar os trabalhos de monitoramento das estruturas de obras de arte especiais. Esse tipo de equipamento foi empregado, por exemplo, no levantamento de patologias de três pontes da BR 101, no Espírito Santo. De acordo com o engenheiro, o serviço foi necessário, nesse caso, para subsidiar o projeto de duplicação da rodovia que previa a recuperação, o alargamento e o reforço das pontes sobre os Rios Jucu, Jaboti e Benevente. “Mesmo com o uso da tecnologia, a experiência do engenheiro vistoriador nunca poderá ser substituída”, afirma Idalino. Ele conta que a confiabilidade dos serviços está intimamente ligada à qualificação da equipe que irá realizar as inspeções.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s