Segurança no parto durante a pandemia

A médica obstetra Fernanda Marques conta como tem sido o protocolo de acompanhamento no pré-natal, sala de parto e no pós-parto para grávidas confirmadas ou não com Covid-19

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Muitas mães e pais descrevem o instante em que seguram um filho recém-nascido pela primeira vez, algo que costuma acontecer imediatamente após o parto, como um momento que assinala uma mudança definitiva em suas vidas. A pandemia do novo Coronavírus, porém, está causando mudanças no ato de dar à luz e impondo restrições, cuidados e preocupações extras as famílias. Caso haja suspeita ou confirmação de contágio por parte da mãe, por exemplo, o primeiro encontro com o bebê pode ser adiado por semanas. A médica obstetra Fernanda Marques conta como tem sido esses dias difíceis no consultório.

A médica já começa dizendo que essas mudanças que se fazem necessárias nesse momento podem se tornar permanentes. “O momento é de grande preocupação com a saúde física e emocional das pessoas. Realmente é um caos jamais visto por essa geração e creio que as mudanças no comportamento das pessoas se tornarão permanentes”. Mesmo para gestantes saudáveis, que não apresentam sintomas do Covid-19, a pandemia tem constituído um importante fator de ansiedade, intensificando os medos e inseguranças que normalmente já fazem parte da experiência de ter um filho.

Para muitas mulheres, o isolamento social imposto pela pandemia também significa um agravamento da solidão no pós-parto e uma redução da rede de apoio, pessoas com quem os pais contariam para dar suporte nos cuidados ao recém-nascido. Por enquanto, os ‘bebês da quarentena’ só podem ser vistos pela família estendida em vídeo-conferências. De acordo com Fernanda soluções tiveram que ser criadas para que a família possa acompanhar esse momento, mesmo que a distância e que a mãe sinta-se acolhida, fator de extrema importância na prevenção da depressão pós-parto.

A médica obstetra Fernanda Marques (Crédito da foto – Samara Christtiny Estevão)

“Durante o parto muitas mudanças aconteceram. O parto sempre foi um momento de festa, de visitas de amigos e parentes e a realidade agora é totalmente diferente. As maternidades, para segurança da mãe e do bebê recém-nascido, estão de portas fechadas para visitantes. Desta forma, criamos algumas estratégias para que a família possa participar pelo menos por breves momentos. A sala de parto com parede de vidro é uma delas. A fotografia de parto e as filmagens também, pois eternizam esse momento tão importante que infelizmente não pode ser compartilhado”, explica a médica.

Além dessas circunstâncias agravarem o risco de depressão pós-parto, condição causada por uma combinação de fatores biológicos, psíquicos e sociais que atinge mais de 25% das mães no Brasil, existe a preocupação com o que o vírus, até então desconhecido, pode causar nas mães e nos bebês. Embora ainda faltem estudos conclusivos que confirmem o perigo para mulheres grávidas, elas foram incluídas no grupo de risco. “Como obstetras, estamos sempre vigilantes, pois a gestante tem sua imunidade comprometida e está mais suscetível a várias doenças”, diz a médica.

Em relação aos bebês Fernanda conta que ainda não há dados que comprovem os danos ao recém-nascido, porém os médicos se preocupam com sua possível infecção. “Então a amamentação e os cuidados com o bebê terão que ser diferentes”, revela. Outra grande preocupação da obstetra é que o acompanhamento pré-natal não pode deixar de ser realizado. Nos períodos de lockdown, vários médicos fecharam seus consultórios e as gestantes deixaram de fazer exames importantes na gravidez ou desenvolveram problemas que poderiam ter sido evitados com a assistência adequada.

“No meu consultório voltamos o atendimento às gestantes o mais rápido possível, mas tivemos que criar novas regras, como a higienização sistemática de todo o equipamento, a restrição aos acompanhantes para não criar aglomeração nas salas de espera e a rigidez do horário marcado”, relata. Essa falta de acompanhamento do pré-natal pode causar também a falta de conexão paciente-médico, já que as mães, normalmente, estão inseguras e fragilizadas nesse momento. Fernanda diz que foi necessário criar outras formas de comunicação.

As teleconsultas e chamadas de vídeo foram grandes aliadas para que as grávidas não se sentissem abandonadas.

Em paralelo, muitos hospitais e maternidades reorganizaram sua estrutura física e seu fluxo de atendimento para minimizar o risco de transmissão e prestar atendimento especializado a gestantes na hora do parto. A falta dos pais e familiares junto a ela nesse momento importante realmente gera medo, e cabe à equipe tornar esse instante mais fácil. “A paciente também precisa ter certeza que será bem atendida mesmo estando com a doença. Somos médicos e estamos na linha de frente, temos que estar preparados para cuidar de nossas pacientes da melhor forma possível”, enfatiza a médica.

Uma das medidas adotadas pelos hospitais e maternidades é a redução de pessoas na hora do parto. Segundo Fernanda a presença de um acompanhante ao lado dessa nova mãe ainda é permitida, no pré, intra e pós-parto. Já nas salas de parto o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) também foi intensificado, para proteção da família e de toda a equipe. As mães podem ficar calmas que o ambiente hospitalar é mais seguro na contenção de controle e disseminação da infecção. “Para um futuro próximo todos nós desejamos uma vacina. Mas enquanto isso não for possível continuaremos priorizando a saúde de nossas mães e nossos bebês”, finaliza a médica obstetra Fernanda Marques.

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