Crise econômica gera demissões, mas economia começa a dar sinais de melhora

No Estado foram mais de 200 mil goianos que tiveram salários e jornadas de trabalho reduzidas ou contratos suspensos. Goiás registrou saldo positivo de 7.716 empregos com carteira assinada em agosto, segundo dados do Caged

A pandemia veio e instalou incertezas sanitárias e econômicas. A paralisação da economia provocada pelo isolamento social, além de tudo, gerou problemas estruturais nas empresas, como queda no faturamento, demissões em massa, reestruturações e, em casos extremos, falência. A crise causou profunda repercussão e efeitos negativos em todas as atividades econômicas do País. As empresas, assim como os cidadãos, estão enfrentando profundas restrições no capital de giro para honrar seus compromissos junto a instituições financeiras, fornecedores, empregados e com o próprio Fisco.

De acordo com Sucena Hummel, gestora do Sescon-GO, vice-presidente de ética e disciplina do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRGGO) e contadora, a geração de empregos atingiu o menor patamar da série histórica iniciada em 2004 e mais de 200 mil goianos tiveram salários e jornadas de trabalho reduzidas ou contratos suspensos. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), em abril 19,1 mil vagas com carteira assinada foram extintas em Goiás. “Foi a primeira vez em 17 anos que abril teve saldo negativo de empregos, decorrente de 23,8 mil contratações e 43 mil demissões”, conta Sucena.

A contadora faz uma análise de quais fatores que levam uma empresa a demitir. “Em geral, é preciso analisar o equilíbrio econômico da empresa. Muitas vezes o desespero e o desconhecimento de situações fazem com que a empresa tome atitudes drásticas. É preciso analisar, pois a demissão gera gastos. É importante observar a volta da atividade, porque para algumas atividades, não vale a pena ter que demitir para depois ter que recontratar.  Demitir funcionários treinados pode ser um grande prejuízo, pois após o período desfavorável ele pode não querer retornar para empresa”, ressalta.

Para empregadores que por ventura tenham que apelar para as demissões, Sucena alerta que os direitos dos trabalhadores demitidos sem justa causa durante a pandemia são iguais aos que eles tinham antes da crise. “13º salário proporcional aos meses trabalhados, férias proporcionais, multa de 40% do FGTS, aviso prévio de 30 dias, mais três dias por ano trabalhado e direito ao seguro-desemprego.  Quando o aviso prévio é indenizado, a empresa tem de pagar a verbas rescisórias em dez dias corridos a partir da data da demissão. Já se o trabalhador cumprir o aviso prévio, a empresa tem 30 dias corridos para o pagamento”.

Para essas empresas foram disponibilizados auxílios governamentais, uma das medidas adotadas é a de redução de até 70% do salário dos funcionários, com redução da jornada de trabalho ou até mesmo suspensão total dos contratos. Deste modo, o governo entraria com uma ‘compensação’ para auxiliar os empregados. “A redação da MP prevê também um período de estabilidade para o funcionário. Caso a empresa reduza a jornada e salário por dois meses, por exemplo, o funcionário terá o emprego garantido por quatro meses. Além disso, existe três tipos de cortes salariais, com redução proporcional da carga horária: 25%, 50% e 70%”, explica.

Outra possibilidade que Sucena traz à evidência foi a suspensão do contrato de trabalho. “Esta funciona como uma espécie de cessação da prestação e da contraprestação de serviços, paralisando todas as obrigações principais de empregados e empregadores, quais sejam, as prestações dos serviços e os pagamentos de salários, respectivamente. Consumada a suspensão contratual, recebe o trabalhador valor pecuniário correspondente ao seguro-desemprego integral”. Ela ainda diz que é preciso ter cuidado e verificar caso a caso, principalmente quem aderiu a MP 936.

Para a contadora, ainda é muito cedo para imaginar uma reação econômica rápida,  já que a magnitude das perdas econômicas é grande e a pandemia ainda não terminou. “Enquanto a pandemia não estiver controlada, será difícil vislumbrar melhora robusta da economia a ponto de recuperar as enormes perdas recordes do atual período recessivo”. Mas já enxergamos retomada de  algumas demandas em alta como as companhias que oferecem serviços à distância como a telemedicina e educação à distância. “Esses mercados já estão mostrando sua força”. Alguns estudos mostram que os setores de TI, vendas, finanças, RH e saúde lideram a procura por profissionais nesse momento.  Goiás registrou saldo positivo de 7.716 empregos com carteira assinada em agosto, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados dia 30 de setembro desse ano. 

Em momentos de crise econômica generalizada o desespero pela falta de opções toma conta, mas é necessário que os empresários ajam com cautela para que juntos possam se manter estáveis como um dos pilares da sociedade moderna. “A crise trouxe um aprendizado para as empresas, elas têm que reduzir fortemente seus custos fixos e se utilizar mais da tecnologia para o trabalho em home office. O melhor é rever seus conceitos e adaptar-se à nova realidade. Buscar as entidades de representação e uma assessoria para auxiliar nos seus negócios. O momento é de revolucionar a empresa e seus serviços”, finaliza Sucena Hummel. 

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