Parto humanizado sem tabus

Muitos se confundem com o conceito de parto humanizado, que nada tem a ver com a forma e sim com o trato

Crédito da foto – Samara Christtiny Estevão

O momento em que se descobre uma gravidez, em sua maioria, é onde a mulher se encontra plenamente feliz, mas até chegar o momento do parto, são diversas dúvidas. A escolha do parto é uma dessas situações que deixam os pais inseguros, por isso ter uma obstetra de confiança para orientar, nessa hora faz toda diferença. A médica obstetra Fernanda Marques diz que atualmente um dos métodos de parto mais procurados por suas pacientes é o humanizado, mas que frequentemente o conceito do mesmo causa confusão. Ela explica que hoje tornou-se muito comum o termo parto humanizado, e as pessoas têm erroneamente relacionado esse termo ao parto normal. Entretanto, esse conceito nada tem a ver com via de parto.

“Estamos falando em humanização do atendimento hospitalar ao parto, independente se a gestante vai parir de cócoras, na água, sentada, deitada na cama, ou se o parto será cesariano. E esse atendimento humanizado começa na recepção do hospital”, explica a obstetra. Humanização diz respeito a acolher essa paciente, saber conversar, saber dar notícias. Diz respeito a entender o momento por ela vivido, momento de apreensão, expectativa, medo, dor. Diz respeito a saber ouvir, respeitar escolhas, apoiar. De acordo com Fernanda, isso é o mais importante em qualquer via de parto. “Durante o trabalho de parto toda a equipe que assiste a mulher precisa ter treinamento em humanização”, continua.

Fazem parte da humanização toda a equipe de enfermagem, a doula, a psicóloga, a fotógrafa, e os médicos, todos precisam estar sintonizados. Se o parto ocorre no quarto ou no centro-cirúrgico, de qualquer forma, o respeito e a paciência da equipe com a paciente é o mais importante. “Num parto cesariano, o começo do processo é a anestesia. Esse procedimento, apesar de bastante seguro, gera muito medo. Dessa forma, eu procuro estar perto da paciente, para que ela se sinta segura. Trabalhar com a mesma equipe torna tudo isso mais fácil e prazeroso, pois a mamãe percebe a sintonia entre os profissionais. Outro detalhe muito importante é a presença do pai durante todo o processo”, explica a médica.

Uma integrante muito importante na equipe dentro do centro cirúrgico, principalmente nesse período de pandemia tem sido o(a) fotografo(a), pois são os registros desse profissional que permite familiares e amigos conhecerem o recém nascido. A fotógrafa  Samara Christtiny Estevão é especialista em  fotografar gestantes, parto  e recém nascidos (o famoso ensaio Newborn), Samara percebeu uma queda significativa em seu trabalho, provocada pelo novo Coranavírus. Foi então que investiu ainda mais na fotografia de parto, que consiste em registrar o nascimento do bebê. Com isso a fotografia de parto se tornou uma grande e poderosa aliada neste período de tantas mudanças e incertezas, capaz de aproximar o recém-chegado à sua família.

A obstetra Fernanda Marque (Crédito da foto – Samara Christtiny Estevão)

Família presente no parto

Para a obstetra, o nascimento de uma família deve acontecer com ela toda presente. “O pai precisa participar, ver seu filho nascer, cortar o cordão umbilical, quando possível, e ficar perto do seu filho e sua parceira. Isso traz segurança”. E porque não deve ser possível em uma cesariana? Desde que haja respeito ás normas do hospital, não há nenhum motivo para privar o pai desses momentos. Ela relembra que o pediatra da sala de parto também é parte fundamental do processo de humanização. “Da mesma forma, no parto vaginal ou operatório, depende da atuação do pediatra o bem-estar do recém-nascido, já que ele é o responsável pela primeira avaliação da criança”. Neste primeiro contato, o pediatra avalia se esse bebê tem boas condições clínicas.

O recém-nascido pode e precisa do contato pele a pele com sua mãe, também é preciso que o bebê faça a primeira mamada nos primeiros momentos de vida (a tal hora de ouro). Segundo a médica, isso tudo é possível durante uma cesariana. “Finalmente não posso deixar de falar da primeira hora pós parto, em que a puérpera está mais sujeita a uma intercorrência. Nessa hora, qualquer obstetra sabe que a paciente deve permanecer em um ambiente de vigilância, próximo à equipe.

No nosso caso, colocamos a paciente na sala de recuperação pós anestesia, dentro do bloco cirúrgico, onde ela pode ser monitorizada. Ainda nesse momento o pai e o bebê ficam com ela e, se possível, o bebê continua mamando”. Como visto, o atendimento humanizado do parto existe em qualquer via de parto. O mais importante é respeitar as escolhas da mãe e também os direitos do bebê. “Esse é o nosso principal objetivo, mãe e bebê saudáveis”, finaliza a médica obstetra Fernanda Marques.

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