Dor pós-cirúrgica, como trata-la?

O ortopedista Paulo Corá revela quais são os fatores de risco para o desenvolvimento de dores após cirurgias e quais as estratégias de tratamento

Muitos brasileiros se submetem a vários tipos de cirurgias ao longo da vida, mas o que todas possuem em comum é a dor. Em algumas, o pós-operatório torna-se difícil por muitos pacientes apresentarem dor intensa após a alta hospitalar. De acordo com o médico ortopedista Paulo Corá, que tem estudo avançado e é pós-graduado em dor, com certificação pela Associação Médica Brasileira (AMB), assim como membro da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), a dor pós-operatória pode ser resultante do trauma cirúrgico ou de complicações relacionadas ao procedimento. Normalmente ela melhora após recuperação da lesão ocasionada pelo ato cirúrgico.

A dor em repouso e a dor ao movimento são os dois tipos que ocorrem no período após o ato cirúrgico, com maior intensidade logo após o término da anestesia. “Devem ser adequadamente tratadas para que haja a reabilitação precoce e menores riscos de cronificação da dor”, enfatiza o médico. Ele lembra também que as cirurgias ortopédicas, em particular, cursam com uma chance elevada do desenvolvimento de dor no período pós-operatório. “Milhões de cirurgias ortopédicas são realizadas no Brasil a cada ano, e estas podem variar desde pequenos procedimentos até cirurgias extensas em pacientes fragilizados, por isso a maior chance”.

“Metade dos pacientes submetidos a artroplastia total de joelho, por exemplo, evoluem com dor de forte intensidade imediatamente após a cirurgia”, conta Paulo. Nos Estados Unidos, foi descrito uma incidência superior a 80% de dor aguda pós-cirúrgica, sendo que menos de 50% destes pacientes receberam tratamento adequado. A dor intensa não tratada pode levar a maior rigidez articular e diminuição da massa muscular, pela inadequada reabilitação. “A cinesiofobia também descrita como medo de sentir dor ao movimento, retarda e atrapalha a reabilitação com a fisioterapia e pode adiar a alta hospitalar”, continua.

Outro ponto importante que o ortopedista ressalta é que a não prevenção ou o tratamento inadequado da dor aguda no período pós-operatório imediato pode trazer complicações importantes para o paciente como o desenvolvimento da síndrome da dor complexa regional. “O tratamento inadequado da dor aguda tem como consequência aumento do tempo de internação, maior incidência de complicações respiratórias e cardiovasculares, limitação na reabilitação dos pacientes, desarranjos psíquicos (ansiedade, medo da dor e depressão), bem como o aumento no risco do desenvolvimento de dor crônica”, explica.

O ortopedista Paulo Corá

Fatores de risco e tratamentos

Paulo explica quais são alguns dos fatores de risco para o desenvolvimento da dor crônica pós-cirúrgica que levam à necessidade de diferentes tipos de tratamentos. “Idade do paciente, pacientes jovens geralmente evoluem com dor mais intensa; sexo do paciente, o sexo feminino é fator preditivo importante de dor moderada a forte no período pós-operatório por ação pró-nociceptiva dos hormônios gonadais femininos; estado físico do paciente antes da cirurgia; medo do paciente em relação ao resultado da cirurgia; estado depressivo prévio ao procedimento; experiência da equipe; dentre outros”.

A dor aguda requer intervenção imediata e a avaliação deve ser proativa, assim como todos os sinais vitais. Tudo começa com a analgesia preventiva e preemptiva, segundo o ortopedista ela tem o objetivo de bloquear o impulso de dor e evitar sensibilização periférica e central, e evitar a cronificação da dor pós-operatória. Tem início antes do procedimento cirúrgico, é mantida durante o procedimento e após o mesmo. “O intuito é reduzir ou eliminar a dor no período pós-operatório imediato e pode-se estender até o período pós-operatório mais tardio”, diz Paulo.

Para os pacientes que já estão na fase pós-operatória, existem três componentes estratégicos para tratar todos os tipos de cirurgias ortopédicas: Analgesia multimodal; analgesia específica para cada procedimento; reabilitação precoce depois da cirurgia. “A finalidade é evitar a síndrome de abstinência e controle da ansiedade nos pacientes que já fazem uso crônico de analgésicos e adjuvantes, é mandatório o apropriado ajuste de analgésicos já em uso pelo paciente”, revela Paulo. Como percebe-se a dor está ligada as cirurgias ortopédicas, mas fica claro que com a equipe certa e os tratamentos adequados é possível evitar e tratar possíveis desconfortos pós-operatórios.

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