Especialista alerta para diferenças entre rinoplastia e rinomodelação

Busca por procedimentos no nariz aumentou 4.800% na pandemia

Com a pandemia de Covid-19 e a necessidade de isolamento social, o trabalho em home office teve um crescimento vertiginoso e as videochamadas passaram a fazer parte de nossas rotinas. Com isso, surgiu o que especialistas têm chamado de “efeito zoom”: o excesso das chamadas de vídeo nos faz ter mais contato com nossa face e perceber mais detalhes sobre o que queremos mudar em nosso rosto.

Com isso, a busca pelo termo “rinoplastia” teve um aumento de 4.800% nas plataformas do Google, superando lipoaspiração como procedimento estético mais procurado em 2020. O desenvolvimento das técnicas e a possibilidade da recuperação pós-cirúrgica em casa, por conta do trabalho remoto, também contribuíram para o crescimento do interesse por esse tipo de procedimento.

O cirurgião plástico Fábio Fernandes, que fez sua sub-especialização em cirurgia crânio-maxilo-facial pela Universidade de São Paulo (USP) e é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC),  da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e da Rhinoplasty Society, alerta, entretanto, para as diferenças entre rinoplastia e rinomodelação. “A rinomodelação é o nome dado a preenchimentos no nariz e outras pequenas intervenções. Já a rinoplastia é um procedimento cirúrgico e, salvo exceções, é a melhor opção para mudanças no nariz”, esclarece.

Como a rinomodelação normalmente é uma intervenção de custo menor, muitas pessoas têm recorrido a esse procedimento na tentativa de resolver todas as queixas relacionadas ao nariz. Entretanto, ela não é indicada para todos os casos e nem mesmo pode ser um procedimento definitivo. “Algumas pessoas que executam a rinomodelação têm usado pontos, adicionado cortes e, consequentemente, cicatrizes em lugares que são considerados invioláveis no nariz, como, por exemplo, o triângulo mole, no intuito de afinar a ponta. Falar que é um procedimento definitivo é, no mínimo, questionável, uma vez que para ter essa definição é necessário um acompanhamento a longo prazo, o que ainda não existe”, pontua Fábio.

O cirurgião explica que durante a rinoplastia também é possível tratar a parte funcional do nariz, como os desvios do septo, o que não pode ser feito na rinomodelação. “A rinomodelação não corrige esses desvios. Há relatos de pacientes que passaram por algumas rinomodelações descritas como definitivas e que tiveram a função respiratória piorada.”

Fábio ressalta ainda que a rinoplastia costuma ter um custo financeiro mais alto, se comparada à rinomodelação, mas isso se deve à sua complexidade. “É possível tratar diversas variáveis. Fazer um procedimento mais caro vale a pena se for uma coisa boa para o paciente. Não adianta economizar e fazer uma coisa que não vai ficar legal. É bem melhor se programar financeiramente e optar pelo que vai trazer um melhor resultado”, complementa.

Para isso, a indicação é sempre procurar o auxílio e a orientação de bons profissionais da área, que irão recomendar os procedimentos mais adequados para cada caso. “É preciso saber escolher o profissional, procurar as referências, saber se ele está apto a fazer esse tipo de cirurgia e se conseguirá resolver alguma intercorrência que possa vir a acontecer. Tem que haver a relação de confiança entre o paciente e o médico, para que se tenha a certeza do bom atendimento e bons resultados”, encerra.

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